Antonio Milena/AE
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Novo conselho no Museu Afro

Emanoel Araújo nega crise e anuncia seis novos membros da instituição

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2011 | 00h00

O diretor do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, vai anunciar amanhã os nomes dos novos conselheiros da instituição. No mês passado, o diretor executivo do museu, Luiz Henrique Marcon Neves, deixou o cargo, assim como um grupo de membros de seu conselho administrativo, incluindo a presidente Ligia Fonseca Ferreira. Emanoel Araújo, que passa a acumular as funções de diretor curador e diretor executivo, ameniza o clima de crise interna. "Foi um processo natural", diz ele. "As pessoas se sentem cansadas."

Amanhã, ao meio-dia, Araújo vai realizar uma reunião de apresentação e de posse dos seis novos conselheiros do museu, "amigos" que ele mesmo convidou nos últimos dias para o conselho. Além da dramaturga Maria Adelaide Amaral, serão conselheiros Hubert Alquéres, ex-diretor da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo; Francisco Vidal Luna, ex-secretário estadual de Planejamento; José Henrique Reis Lobo, ex-presidente do diretório paulistano do PSDB; Manuelito Pereira Magalhães Junior, diretor da Sabesp; e Antonio Denardi, diretor da TV da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Luna vai presidir o conselho não remunerado, com mandato de quatro anos.

Criado em 2004 e desde 2006 instituição vinculada à Secretaria de Estado da Cultura, com orçamento público anual de R$ 8,5 milhões, o Museu Afro Brasil é gerido pela Organização Social (OS) Associação Amigos Museu Afro Brasil. O secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo, também ameniza a crise interna do museu, provocada pela saída coletiva de membros de sua estrutura. "Foi um desentendimento dentro da própria OS, mas isso não interferiu no andamento do museu", diz Matarazzo. O secretário não vai participar da reunião de posse, amanhã, dos novos conselheiros, mas conta que "trocou ideias" com Emanoel Araújo para montar a lista.

"Ele (Luiz Henrique Marcon Neves, ex-diretor executivo) funcionava, mas não basta só eu estar contente, tem de ser uma harmonia entre a OS e a Secretaria", continua o secretário. Segundo Araújo, Neves "quis sair diante da impossibilidade dele de realizar o estabelecido pelo projeto de gestão do museu". Agora diretor curador e diretor executivo, conta que teve de criar dois cargos de apoio, institucional e jurídico, para o Afro Brasil. Ele diz ainda que está convidando personalidades internacionais para um futuro conselho consultivo.

"Não é o museu de minha figura, criei um sonho voltado para a memória, história, arte e contribuições afro brasileiras, mas, sobretudo, do Brasil. Sou apenas gestor de tudo isso", diz Araújo , respondendo à pecha de centralizador em relação à instituição. Ele foi ainda convidado pelo secretário de Cultura do Rio de Janeiro, Emilio Kalil, a participar da concepção de um museu afro carioca, mas nega que vá dirigir a instituição.

Balanço. O Museu Afro Brasil é um projeto antigo de Araújo, desde antes de sua efetiva institucionalização. Artista e ex-diretor da Pinacoteca do Estado (responsável, até 2002, por sua reforma e revitalização), ele doou 2.570 obras de sua coleção para a criação do Afro Brasil e ainda cedeu em comodato mais de 2.500 peças de seu acervo para a instituição. Conta ainda que o museu adquiriu cerca de 600 trabalhos (do Benin, Congo e dos Bijagós da Guiné-Bissau, por exemplo) que, com isso, pertencem ao Estado de São Paulo. O museu recebe doações de artistas, como uma recente da família do pintor e escultor Arcangelo Ianelli, morto em 2009.

Primeiramente, quando começou a funcionar, em 2004, no Pavilhão Manoel da Nóbrega, no Parque do Ibirapuera (com área de cerca de 12 mil m²), o Museu Afro Brasil era órgão vinculado à Prefeitura de São Paulo. Depois de uma série de crises - principalmente no que diz respeito à falta de verbas - a instituição tornou-se, em 2006, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) e passou a ser ligada ao governo do Estado.

O orçamento anual de R$ 8, 5 milhões (deles, R$ 1 milhão para bancar exposições) da Secretaria de Estado da Cultura, afirma Araújo, não é suficiente para realizar as mostras do museu. A instituição tem 98 funcionários registrados. Recebe, ainda, verba anual de R$ 500 mil do governo federal por estar integrado ao programa Pontos de Cultura. Com um perfil eclético, o Afro Brasil recebeu, do início do ano até junho, cerca de 72 mil visitantes, número considerado bom pela Secretaria de Cultura.

ATUAL COMPOSIÇÃO

Novos

Antonio Denardi

Francisco Vidal Luna

José Henrique Reis Lobo

Hubert Alquéres

Manuelito Pereira Magalhães Junior

Maria Adelaide Amaral

Os que ficaram

José Roberto Marcelino dos Santos

Miriam Ribeiro

Mauricio Pestana

Oswaldo de Camargo

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