Novela com Paulo Gracindo marcou época

As novelas de Alfredo Dias Gomes (1922-1999), como a ousada Verão Vermelho (1970) e Bandeira 2 (1971/72), eram o que de melhor a televisão brasileira exibia naquela década. O autor amarrava com maestria suas tramas repletas de humor, safadeza, sátira política, intensidade dramática e elementos da cultura popular nordestina, como o realismo fantástico da literatura de cordel (como em Saramandaia, de 1976), da qual pouco se conhecia abaixo da Bahia.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2010 | 00h00

O Bem Amado, adaptação da peça teatral de 1962, que depois virou seriado, foi a melhor e fez enorme sucesso em 1973. Na pele do ardiloso prefeito Odorico Paraguaçu, personagem emblemático da teledramaturgia brasileira, o inigualável Paulo Gracindo popularizou expressões que se incorporaram ao linguajar nacional e estão aí até hoje - como "vamos direto aos finalmentes".

Escolhido a dedo, o elenco criou tipos memoráveis como Zeca Diabo (Lima Duarte), as impagáveis irmãs Cajazeiras (Ida Gomes, Dirce Migliaccio e Dorinha Duval), Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz) e tantos mais. Outro ponto a favor era a trilha sonora, composta por Toquinho e Vinicius de Moraes, com destaque para Meu Pai Oxalá, Cotidiano n.º 2 e No Colo da Serra. Além de tudo, foi a primeira novela produzida em cores na tevê brasileira. Um fenômeno e tanto.

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