Novas obras revelam um Antonio Henrique Amaral mais subjetivo

Valorizando agora um lado maissubjetivo, "dando vazão ao automatismo do gesto", como definea curadora Maria Alice Milliet, o artista Antonio HenriqueAmaral apresenta na Galeria Nara Roesler uma série de 18pinturas feitas entre o ano passado e este ano, além de oitopequenos desenhos. A base de todas as obras são gestos que nãopartem de nenhum tema, mas apenas do ato de pintar, "como namúsica quando a melodia é a própria idéia", diz Amaral. Fagulhas de luzes pontuam todas as pinturas; por exemplo, a obra Abril/2001, composta por um caminho aleatório depalitinhos de fósforos. Ou um vulcão, como na tela ASeqüência, deste ano. Ou, como descreve Maria Alice, as obrasde Antonio Henrique Amaral são "uma comparação com o mundocósmico", observação que pode ser facilmente reconhecida napintura Setembro/2001, registro de uma explosão defigurinhas, fragmentos, "detritos, cacos, pedaços de objetos eaté mesmo uma flor inacreditavelmente intacta". Um sopro detudo o que passou pela cabeça do artista. A contemporaneidade da obra de Antonio Henrique Amaral,segundo a curadora, está justamente no fato de suas pinturasoscilarem entre o subjetivo e o político. "A obra dele estáviva no momento em que ele não aceita uma coerência." Se ele sedestacou na década de 70 com a série Bananas - telas quetraziam a fruta amarrada, cortada ou fincada por um garfo _, umametáfora sobre os anos de ditadura militar, agora o que se podever é um tipo de total libertação. "É como se eu tivesse umolho para dentro de mim e outro para o que me cerca. Assumo essafluidez da vida." Nos títulos das pinturas agora expostas, o registro dopassar do tempo: Abril/2001, Junho/2001,Agosto/2001. Ou episódios do cotidiano: Depois daChegada..., Ecos de Memória ..., Ah, Ah, Ah, Ah, Ah...!!. Algumas das obras vieram de novas intervenções emquadros um dia considerados acabados. Entretanto sem nenhumahistória por trás disso, sem nenhuma representação política,etc. "Mais movimento do que massa, o flagrar de um momento, sem me preocupar com o sentido", diz o artista.Serviço - Antonio Henrique Amaral. De segunda a sexta, das 10 às19 horas; sábado, das 11 às 15 horas. Galeria Nara Roesler.Avenida Europa, 655, tel. 3063-2344. Até 19/7

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