Novas grifes e maior curiosidade dão destaque a homens no SPFW

Na moda masculina, pouca coisa mudacom o passar das temporadas, mas dizem que só um botão podefazer toda uma revolução. Enquanto isso não acontece, todos esperam pela oportunidadede captar algo novo para o armário dos homens, ainda mais agoracom a estréia de duas grifes exclusivas de moda masculina noSão Paulo Fashion Week -- a Rosa Chá e a Reserva. "Nunca o homem esteve tanto no centro das atenções, nuncavi tanta gente interessada", afirmou o editor de modaespecializado no assunto Lula Rodrigues. "O homem também está mudando. O europeu e o americanoconsomem moda, e o brasileiro está começando a olhar para issoagora." Entre as novidades desta temporada, que acaba nestasegunda-feira, Lula cita a silhueta do homem, que tem aparecidomais ampla nos desfiles de moda primavera verão. "A tirania do skinny começa a ficar mais confortável",disse o editor sobre o modelo de calça com elastano, bem coladaao corpo. A grande mudança, no entanto, será quando os homenspassarem a adotar, no mundo todo, os ternos mais inventivosexibidos nas passarelas internacionais, no lugar do tradicionalterno de três botões. "Quem conseguir isso vai para o hall dafama", disse. A Rosa Chá, de Amir Slama, muito famosa pela moda praiafeminina, fez sua estréia no SPFW com sua linha para homens.Causou furor ao colocar um homem pelado tomando uma chuveiradana boca de passarela. E apresentou sungas minúsculas e outrasnem tanto, com destaque para uma com bolsinho e porta-celular. A Reserva, que veio do Fashion Rio, fez seu desfile nestanoite de segunda-feira, último dia de SPFW. Animou osfashionistas com uma paleta de cores fortes, como uma jaquetapink quase fluorescente, e outras peças com muitas listras ealguns xadrezes. NADA DE MODA FÁCIL Mario Queiroz, um dos pouquíssimos que só desfilam modamasculina no SPFW, apresentou no domingo uma coleção inspiradanos trabalhos do artista cinético Jesús-Rafael Soto para criarestampas em amarelo-ouro. A idéia de movimento tirada da obra de Soto foi usada emuma regata toda bordada com filetes de canutilho branco epreto. É a peça mais cara da coleção, cujo bordados custaram1.500 reais. "Isto é para mostrar que moda masculina não quer dizer modabarata, nem moda fácil", disse o estilista, explicando que setratava de uma peça única e que estaria na loja. Ele também bordou paetês metalizados em camisas sociais, deforma mais discreta. "Bordados e aplicações a gente reconhececomo coisas femininas, mas a minha missão é essa, é perguntarpor que essas coisas são femininas?", disse. Na passarela de seu desfile estava o dentista ecolecionador de arte Dario Zito, 41 anos, tomando nota de cadalook da apresentação. Disse que gostou de quatro peças,incluindo uma camisa de tricoline, e que costuma ir na lojaatrás do que lhe chamou atenção na passarela. "Gosto de desfiles de moda porque misturam arte, cultura,comportamento, está tudo interligado", disse Dario. "De cadadesfile, dá para usar uns 10 por cento, tem muita coisaexagerada, sou mais conservador".

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