Novas criações de coletivos, a aposta de 2011

Ney Matogrosso debuta na direção teatral. Karin Rodrigues retorna aos palcos pela primeira vez desde a morte de Paulo Autran. A Cia. do Latão traz seu novo e grandioso espetáculo. O La Fura dels Baus volta ao Brasil para chocar neófitos e habitués. Ainda antes de o ano terminar, já se antevê que 2011 promete uma farta e profícua agenda teatral: com montagens de textos clássicos da dramaturgia, musicais grandiosos, turnês de companhias internacionais, além de novos criações de coletivos importantes, como a Cia. Livre e o Teatro da Vertigem.

Maria Eugênia Menezes, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2010 | 00h00

Ao menos no primeiro semestre, vem do outro lado da ponte aérea grande parte das novidades que aportam por aqui. Para abrir a temporada, os cariocas da Armazém Companhia de Teatro encenam Antes da Coisa Toda Começar. Saudado como um dos melhores espetáculos de 2010 no Rio, a montagem concebida pela dupla Paulo de Moraes e Mauricio Arruda Mendonça chega ao CCBB de São Paulo em fevereiro.

Logo na sequência, é a vez de Felipe Hirsch trazer outro dos sucessos da última temporada fluminense: Pterodáctilos. Na peça, que deve entrar em cartaz no Teatro Frei Caneca em março, Marco Nanini retoma sua parceria com o diretor e volta ao texto de Os Solitários, que montaram juntos em 2008. No mesmo mês, a Cia. dos Atores leva seu espetáculo mais recente, Devassa, ao Sesc Consolação. O fim do primeiro trimestre ainda reserva o monólogo Dentro da Noite, que revela o lado diretor de Ney Matogrosso.

Quem também assume o posto de encenador é o ator Leonardo Medeiros. Já no dia 7 de janeiro, no Sesc Pinheiros, Medeiros conduz A Senhora de Dubuque, texto de Edward Albee inédito no Brasil. Marília Pêra volta a tomar o lugar de diretora com Eu Era Tudo para Ela e Ela me Deixou, prometido para maio.

Importantes nomes do teatro de grupo paulistano apresentam suas novas peças. A Cia. do Latão mostra em janeiro a ambiciosa Ópera dos Vivos - uma montagem em quatro partes - no Sesc Belenzinho. Quase simultaneamente, no CCSP, o grupo XIX de Teatro leva ao palco Marcha para Zenturo, resultado do encontro da companhia com os mineiros do Espanca!. Ainda nessa seara, a Cia. Livre, de Cibele Forjaz, o Teatro da Vertigem, de Antônio Araújo, e a Cia. São Jorge de Variedades, de Georgette Fadel, preparam novos trabalhos.

O fim da novela das oito libera seus galãs para o teatro. Em julho, Marcello Antony aparece, ao lado de Otavio Muller, em Adultérios, texto de Woody Allen adaptado e dirigido por Alexandre Reinecke. Já Reynaldo Gianecchini prepara-se para em maio despontar em Cruel, uma adaptação do texto Os Credores, de August Strindberg, com direção de Elias Andreato.

Não faltarão, aliás, trabalhos de grandes diretores em 2011. Eduardo Tolentino trará, em janeiro, Recordar É Viver, com Sérgio Britto e Suelly Franco. Já Gabriel Villela promete duas estreias para o ano: Crônica da Casa Assassinada - uma versão do romance de Lúcio Cardoso assinada por Dib Carneiro Neto, editor do Caderno 2 - e Hécuba, com Walderez de Barros.

A ala internacional chega robusta para o próximo ano: O cineasta Amos Gitai dirige Jeanne Moreau em Correspondência, que estreia em março, no Sesc Belenzinho. Na mesma unidade, o diretor argentino Daniel Veronese mostra o seu festejado Espia uma Mulher que se Mata. Do Teatro Nacional São João, no Porto, desembarca Sombras, de Ricardo Pais. Para os apreciadores de emoções fortes, a trupe do La Fura Dels Baus fará Degustação de Titus Andronicus, espetáculo com estreia marcada para 11 de agosto. E há rumores ainda de que Ariane Mnouchkine e o Théâtre du Soleil, de Os Efêmeros, devem retornar a São Paulo com o inédito Les Naufrages du Fol Espoir.

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