Nelson Peixoto/Divulgação
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Novas cantoras fazem tributo a Marina Lima

Faça o que bem entender. Foi esse o toque do DJ e produtor Zé Pedro para cada uma das 12 cantoras da nova geração escolhidas para interpretar o CD-tributo Literalmente Loucas - A Música de Marina Lima (Joia Moderna). "Misteriosamente todas fizeram uma amarração nesse disco", diz Zé. Nove delas estarão no palco do Teatro Fecap hoje, no show de lançamento do CD, que será gravado em vídeo, para uma possível edição em DVD.

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2011 | 00h00

É uma boa oportunidade para o público tomar contato com as mais representativas cantoras (e também compositoras na maioria) do pop atual - como Marcia Castro, Andreia Dias, Nina Becker, Anelis Assumpção, Bárbara Eugênia, Karina Buhr, Claudia Dorei - além das menos conhecidas, mas igualmente bem encaminhadas, Joana Flor e Karina Zeviani. Ausentes do show só Tulipa Ruiz, Iara Rennó e Graziela Medori, que gravaram depoimentos em vídeo, assim como a homenageada, que fala de cada uma dessas intérpretes de sua obra.

Zé Pedro fez a lista de canções, todas "lados B" de Marina, e chamou a jornalista, radialista e pesquisadora Patrícia Palumbo para fazer a curadoria. Foi ela quem escolheu as cantoras e definiu quais tinham mais "a cara de cada canção, pela letra, pela levada, pelo espírito da coisa".

Umas mais, outras menos, a maioria delas tem algo da homenageada, uma das personalidades mais influentes do pop feminino brasileiro. "Marina é uma referência para todas elas de alguma forma e ficou muito emocionada e feliz com o resultado do CD", diz Patrícia.

Modernas como Marina, cada uma com seus músicos e a seu estilo cuidou da produção da própria faixa, sem intervenção da curadoria, e acertaram nas soluções sonoras, criando uma unidade. "Elas têm uma liberdade como Marina sempre teve, enfrentando o mercado, nunca fazendo o que ninguém mandou ela fazer", diz Zé. A unidade do CD se deu, segundo Patrícia, "justamente pela escolha das meninas".

Enquanto Tulipa e seu irmão Gustavo Ruiz conectam Memória Fora de Hora com o funk carioca, Bárbara injeta surf-rock oitentista em Por Querer (Todas) e Claudia puxa O Solo da Paixão para o trip-hop. Joana coloca batida de eletro-samba em Seu Nome e a delicadeza de Nina Becker, na bela O Meu Sim, tem algo de Durutti Column.

"Todas têm alguma coisa em comum, várias têm aquela guitarrinha meio brega que começou com Catatau", observa Patrícia. Catatau, que é da banda de Karina Buhr, nova parceira de Marina, não está no CD. Quem toca com ela em Tão Fácil é Cris Scabelo, que também gravou À Meia Voz com Anelis. O baixista Mau toca com Karina e com Iara.

Andreia gravou Quem É Esse Rapaz (uma das melhores faixas) com o talentoso Felipe Cordeiro, cujo estilo kitsch-pop-cult casa perfeitamente com o dela. Outro guitarrista que sempre surpreende, Rovilson Pascoal toca com Marcia Castro em Meu Doce Amor (outra das melhores) e com Graziela Medori em Bobagens, Meu Filho, Bobagens. Graziela gravou a faixa em dois dias para substituir a de Thalma de Freitas, entregue fora do prazo e que, segundo Zé, não tem mesmo a cara desse CD.

Meu Doce Amor foi a primeira canção de Marina a ser gravada, não por ela, mas por Gal Costa em 1977. A interpretação de Marcia é revigorante, bem diferente da original. A primeira que Marina compôs (e também não gravou) foi Alma Caiada, lançada por Zizi Possi em 1979, e agora repaginada por Iara. Segundo o DJ, outras mulheres ficaram "tristinhas" por não serem escolhidas, "mas quem tinha de estar nesse disco está".

LITERALMENTE LOUCAS

Teatro Fecap. Avenida Liberdade, 532, telefone 4003-1212. Hoje, às 21h30. R$ 60 e R$ 30.

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