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Nova York entra no clima de Mad Men

Programa ambientado nos anos 1950 inspira moda e hábitos atuais da cidade

Gustavo Chacra CORRESPONDENTE NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2010 | 00h00

A série Mad Men, vencedora de seu terceiro Emmy de melhor série dramática esta semana, retrata uma Nova York de 50 anos atrás, com seus defeitos e qualidades, levando muitos moradores da cidade, em 2010, a pensar se não era melhor viver naquela época e, no caso da moda, a adotar o estilo e as roupas das personagens Betsy Francis e Joan Harris. "Como cultura, nós nos mudamos em direção à academia de ginástica, ao enriquecimento e também à necessidade de assumirmos responsabilidades, nos distanciando dos tempos de um drinque no meio da tarde", escreveu Katie Roiphe em artigo no New York Times em relação à série de TV sobre a vida dos publicitários americanos no início dos anos 1960.

A Nova York de Mad Men ainda era dominada pela elite Wasp, como são chamados os "brancos, anglo-saxões e protestantes". Formados em tradicionais universidades dos EUA, como Harvard, Princeton e Yale, esses "quatrocentões" americanos aos poucos viram o seu mundo ser invadido por imigrantes e minorias religiosas. Os homens eram preconceituosos e machistas. Também se podia fumar à vontade nos escritórios e muitos ainda relutavam em aceitar que o cigarro fizesse mal. A série, porém, encanta também pelo que havia de positivo naqueles anos, conforme escreveu Roiphe. Os profissionais, incluindo os mais modernos publicitários, vestiam-se com ternos impecáveis e, nos primeiros anos da série, ainda portavam chapéus. Os almoços eram longos, regados a boas bebidas. Não havia o estresse de estar o tempo todo checando e-mails e atendendo o celular. Don Draper, personagem principal, em viagem à Califórnia, conseguiu desaparecer uns dias sem que ninguém tivesse a menor ideia de onde estava.

Esse glamour da Nova York do passado, de Mad Men, aparece este ano em um editorial na edição de setembro da revista Vogue, na arquitetura de restaurantes do West Village e até na nova coleção da Banana Republic. Era uma época em que a cidade parecia ser mais elegante e ícones de beleza como Grace Kelly dominavam as capas de revista - não à toa que January Jones, que faz o papel de Betsy Francis, ex-mulher de Don Draper, estrela da série, é quase uma sósia da princesa de Mônaco e já emplacou uma capa da revista Vanity Fair.

A Louis Vuitton adotou mulheres mais volumosas em sua campanha deste ano, seguindo a tendência da secretária Joan Harris, da atriz Christina Hendricks. A.J. Crew também investiu na moda dos anos 1960 em seu novo catálogo. A cintura alta e a saia rodada também são a tendência da Prada, com um olho nas roupas das estrelas de Mad Men.

A revista feminina Marie Claire aconselha os leitores a "investirem na moda Mad Men". "Desde Sex and the City não vemos um programa de TV influenciar tanto a moda quanto Mad Men", escreveu a Elle. Roupas usadas pelos personagens foram a leilão. A Matel lançou uma linha de bonecos dos personagens da série. Hipsters do bairro de Williamsburgh adotaram a moda do chapéu, no que talvez possa ser a próxima tendência, depois dos bigodes no ano passado.

Trocadilho. O novo rei dos restaurantes de Nova York, Keith McNally, dono do Balthazar e do Pastis, inspirou-se na série de TV para a decoração do Mineta Tavern, um dos mais seletivos da sua rede. O Lion, outro restaurante disputado no West Village, também segue a tendência anos 1960, com porteiro na entrada, assim como o Monkey Bar, perto da Madison Avenue, no Upper East Side, terra original dos "Mad Men" (Mad é um trocadilho com Madison Avenue e Maluco, em inglês), onde parece que a qualquer momento Don Draper (Jon Hamm) se sentará em uma das mesas.

Esse estilo tem influenciado os nova-iorquinos, com algumas pessoas optando por marcar almoços mais demorados na cidade, deixando de lado as refeições nas mesas do escritório, comuns tanto para os banqueiros de Wall Street como para os publicitários da Madison Avenue. Mas ninguém defende o retorno ao cigarro ou o antissemitismo, especialmente porque o prefeito da cidade é Michael Bloomberg, um judeu - assim como, segundo especulam, o enigmático Don Draper.

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