Nova velha fórmula

Com uma final morna e a saída de sua figura central, o popular jurado Simon Cowell, American Idol precisa se reinventar para manter o sucesso

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2010 | 00h00

      Anticlímax poderia ser a palavra para definir o final de American Idol que foi ao ar na quarta-feira. Contrariando as previsões e as intenções do júri, que não poupou elogios ao desempenho da jovem Crystal Bowersox, quem terminou a noite como grande vencedor foi o ex-vendedor de tintas de Chicago Lee DeWyze.

O resultado dessa nona temporada norte-americana, pela primeira vez transmitida ao vivo no Brasil pelo canal Sony, teve sua dose de surpresa. Certamente, contrariou quem acreditava na superioridade da "mãe de Ohio", a loirinha de dreadlocks que conquistou a audiência com seu jeito meio "riponga" e sonhador. Mas não se pode dizer que a vitória de Lee tenha sido um desfecho dramático. Até porque o centro das atenções dessa finalíssima não era a dupla de concorrentes ? carismáticos e com histórias de "superação" ?, mas a despedida de Simon Cowell.

A saída do mais impiedoso e popular dos jurados de American Idol lança dúvidas sobre o destino do programa, campeão de audiência nos Estados Unidos e visto por mais de 19,6 milhões de americanos na final. Espremida em um minúsculo vestido cor-de-rosa, Paula Abdul, afastada do seriado após oito temporadas, retornou para alfinetar Cowell. "O American Idol não vai ser o mesmo sem você, mas, como só eu posso lhe dizer, ele vai continuar", comentou a ex-jurada, que deixou o reality show por motivos ainda desconhecidos.

Em cerimônia arrastada, as homenagens a Cowell incluíram um clipe de seus "melhores" momentos das últimas edições, além de apresentações de todos os vencedores do Idol desde 2002. Tachados pelo NY Times de fracos e amadorísticos, os números não prenunciam um futuro auspicioso para a atração, que terá de provar que é capaz de sobreviver à ausência de sua figura mais polêmica.

Além de juiz desbocado ? e até por isso o preferido do público ?, o britânico Cowell é um dos produtores executivos da série. Alegou tédio para abandonar o posto e muitos são os rumores de que o programa não resistirá a mais de uma temporada sem ele.

Ainda que a Fox não confirme que pretende escalar alguém para o seu lugar, as apostas sobre quem vai substituí-lo miram alto. Segundo o tabloide The Sun, a produção sonha com Madonna e quer colocá-la até setembro na bancada ao lado de Ellen DeGeneres, Randy Jackson e Kara DioGuardi. Se a proposta não vingar, já que a agenda da musa é atribulada, uma opção seria tê-la como mentora ou convidada eventual.

Mesmo com o número de espectadores declinando nos últimos anos, American Idol continua a exibir índices invejáveis. Em um tempo em que a audiência está cada vez mais fragmentada e dispersa, parece dar de ombros para as previsões apocalípticas sobre o fim da TV e firmou-se como fenômeno.

Seu segredo? Difícil definir. Exportado como modelo para dezenas de países ? Brasil entre eles ?, Idol atualizou o velho jeito de fazer programas de calouros. Recorreu ao formato de reality show, lançou mão de pitadas de drama e ganhou até contornos de celebração patriótica, com finalistas se apresentando em grandes estádios dos EUA e sendo recebidos em suas cidades natais com honras e glórias.

Já de olho na concorrência com a internet, seu criador, o empresário britânico Simon Fuller prepara um novo reality show multimídia, batizado de If I Can Dream, que terá desdobramentos em redes de relacionamento social. Mesmo desgastada, a fórmula parece longe de se esgotar.

 

Paula Abdul, ex-juiza do programa, aparece para a despedida de Simon Cowel do American Idol. (AP Photo/FOX, Vince Bucci)

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