Justin Stephens/Divulgação
Justin Stephens/Divulgação

Nova temporada de 'The Good Wife' começa hoje no Brasil

A atriz Julianna Margulies, que interpreta a protagonista Alicia Florrick, revela as novidades da série

Flavia Guerra/ Nova York, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2012 | 03h09

The Good Wife. A boa esposa, boa mãe e boa profissional Alicia Florrick volta à cena hoje com a estreia no Brasil da terceira temporada da série no Universal Channel, às 23 h. E o que temos de novo? "Temos que, entre outras coisas, Alicia finalmente tem um pouco de diversão, tem um caso com o chefe, que, na verdade, tem um quê por ela desde a faculdade. E eles acabam vivendo cenas quentes de romance. Mas ela esconde isso de todos, principalmente dos filhos. Além disso, ela finalmente descobre que jogar pelas regras, como ela sempre fez, nem sempre dá resultados", contou Julianna Margulies, a Good Wife do título, à imprensa internacional que se reuniu com ela nos estúdios de gravação da série, no Brooklyn, em uma tarde de fevereiro, em pleno inverno rigoroso nova-iorquino.

"Sei muito bem o que a Alicia passa. Não é fácil cuidar dos filhos, do marido, trabalhar e ainda manter a voz em dia. Eu mesma estou sempre me perguntando se estou cuidando o suficiente de mim, do meu filho de 4 anos e do meu marido", brincou a atriz, que tomava literalmente litros de chá de gengibre para dar conta de um resfriado que atrapalhava as cenas que teria que filmar naquele dia.

"Mulheres são multitarefa e, entre outras coisas, merecem um pouco de liberdade e diversão. Mas acredita que houve alguns espectadores (que assistiram à série, que nos EUA estreou há tempos) que disseram por que não a chamamos simplesmente de 'a boa vadia'? Isso me deixou chocada!", contou Julianna. "Só porque ela está tendo um caso com o chefe? Isso aconteceu depois que ela arranjou um emprego, não está pedindo dinheiro ao marido para criar os dois filhos e, quando o caso acontece, ela já passou por tudo e está separada", rebateu a atriz às provocações dos espectadores. "O que ela deveria fazer? Ficar sentada em casa e ser a boa mulherzinha? Ela não é a boa esposinha. Ela é a boa esposa."

O que faz de Alicia Florrick uma boa esposa? E o que faz da série, que nos EUA é produzida e vai ao ar pela CBS desde 2009, ser um sucesso mundial já em sua primeira temporada, levando nove indicações para o Emmy e rendendo a Julianna Margulies o Globo de Ouro e o Screen Actors Guild de melhor atriz? Seria este mix entre vida familiar, amorosa e política? Política sim.

Vale lembrar que a saga de Alicia Florrick, começa quando seu marido, o promotor público Peter Florrick (Chris Noth), é preso após se envolver em um escândalo sexual e ser acusado de corrupção. Humilhada publicamente, a boa esposa se separa, assume a responsabilidade pela criação dos dois filhos e volta a trabalhar como advogada após 13 anos. E o que faz de uma série que foi abertamente inspirada em casos como o de Bill e Hillary Clinton, focada em mulheres maduras, bem longe das pin-ups que em geral ilustram o horário nobre, um sucesso mundial? Esta e outras questões, a atriz respondeu em conversa com o Estado.

Porque The Good Wife ultrapassou o mercado americano e conquistou fãs em vários países?

Exatamente. A série não interessa porque é sobre escândalo político. E sim porque é sobre uma mulher que está reconstruindo a vida. E estas bravas mulheres estão em toda parte.

O que é ser uma boa esposa?

Para mim, ser boa mãe e boa esposa é sempre tentar colocar sua família em primeiro lugar. Não que a gente vá conseguir sempre, mas é preciso tentar.

Ao mesmo tempo em que a série mostra Alicia tentando ser uma boa, e quase perfeita, mãe, mostra também uma mulher que é a tradução da imagem da profissional bem-sucedida.

Exato. Ela, como já falei, não é 'boazinha'. Ela é sensata, boa, mas quer reconstruir sua vida. Merece ser feliz e vai tentar de tudo para isso. Sem contar que as outras mulheres da série são mostradas de uma forma não convencional. Kalinda Sharma (Archie Panjabi) é bissexual e super competente no trabalho, Diane Lockhart (Christine Baranski) é sócia do escritório em que Alicia trabalha, superfeminista e profissional. Aliás, nesta temporada, ela vai ter momentos de romance picante em um carro!

Cenas que, em geral, mulheres com 50 anos não protagonizam.

Exato! Eu acho que nunca uma mulher com mais de 5o anos teve cenas picantes em um seriado. Nem na TV aberta nem na TV a cabo. Isso sim é algo novo. O papel da 'boa mulher' está multifacetado. A Alicia, por exemplo, ainda que queira e mereça ter um namorado, não vai conseguir isso até que seus filhos entrem na faculdade. Isso porque ela é muito cuidadosa com tudo isso. Pensei nisso quando questionei: E se o Will Gardner (vivido pelo ator Josh Charles) não fosse chefe dela? Ela o apresentaria para os filhos?

E é bom não esquecer que, além da competição, há de fato amizade verdadeira entre as mulheres da série.

Sim. Sem ser 'contra homens', porque adoro homens, o mais interessante hoje é que as mulheres estão aprendendo que se unir é mais importante.

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