Divulgação
Divulgação

Nova semana de moda carioca tem desfiles teatrais e patrocinados

Na tentativa de se firmar no calendário nacional, Rio Moda Rio contou com apresentações de 14 marcas como Osklen, Lenny Niemeyer e Isabela Capeto

Maria Rita Alonso e Giovana Romani , O Estado de S. Paulo

18 de junho de 2016 | 16h00

Eram quase 17h de sexta, 17, quando a primeira modelo pisou na passarela montada na área externa do Museu do Amanhã, novo marco arquitetônico e cultural do Rio de Janeiro. Tratava-se do horário do início do pôr do sol em uma atmosfera que parecia ideal para emoldurar a coleção da Osklen. A marca de Oskar Metsavaht nasceu na capital fluminense e, com sua proposta sustentável, descolada e elegante sempre exportou um pouco do lifestyle carioca para o Brasil – e para o mundo.

Por isso mesmo, estava perfeitamente encaixada ali, em plena Baía de Guanabara, e cumpria a missão proposta pela nova semana de moda Rio Moda Rio: a de voltar os olhos do universo fashion para a cidade. “É sensacional poder ver o Rio ocupado dessa forma”, afirma o estilista Carlos Tufvesson, curador do evento. “Nosso objetivo era comunicar a moda de uma maneira diferente para atingir o consumidor final.” No total, 14 desfiles ocorreram entre quarta, 15, e sexta, 17.

A maior parte deles no Píer Mauá, na zona portuária, área que foi remodelada e está à espera da Olimpíada. Ainda houve apresentações no Museu de Arte do Rio, o Mar, e no Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Estado – isso, sem contar a da Osklen. As principais marcas cariocas estavam lá reunidas, apesar de boa parte delas integrar também o calendário da São Paulo Fashion Week. Essa duplicidade acabou gerando a questão: por que desfilar duas vezes? “Apresentar meu trabalho aqui é como receber amigos em casa”, diz a estilista Patrícia Viera, que já havia mostrado uma coleção em São Paulo, em abril.

Um motivo que contribuiu foi o fato de cada participante receber subsídio para fazer desfiles grandiosos. “Vemos as marcas como nossos artistas. Assim como em um evento de rock, em que contratamos Katy Perry, os estilistas também têm seus custos de apresentação, que são subsidiados por nós”, afirma Duda Magalhães, diretor da Dream Factory, empresa idealizadora do evento e que também organiza o Rock in Rio. O investimento no Rio Moda Rio é de R$ 15 milhões, quantia dividida entre esta edição e a próxima, prevista para outubro, além de outras iniciativas menores, como um prêmio para profissionais do setor.

Nesta primeira temporada, cada marca aderiu à proposta de um jeito. A Mara Mac emocionou ao levar para a passarela um desfile teatral, com looks de silhueta minimalista e a presença de um físico para abordar de forma filosófica o papel do homem no mundo. Já o estreante Guto Carvalhoneto levou o conceitual ao extremo: começou sua apresentação com um vídeo de uma mulher nua e careca andando em uma paisagem sertaneja e terminou com uma espécie de cortejo fúnebre. Entre a crítica, em geral, o formato agradou. “É sempre bom ver algo inovador. Já ando cansada dos desfiles tradicionais”, diz Larissa Lucchese, editora de moda da revista Marie Claire. Moda, afinal, depende do contexto.

O desfile da marca de beachwear Blue Man, por exemplo, acabou em funk. A turma do Dream Team do Passinho, famosa nos bailes cariocas, incendiou a plateia após o desfile, que teve biquínis de tressê e macramê, estampados com folhagens e frutas tropicais. As referências para a coleção, segundo a estilista Sharon Azulay, vieram da Australásia e do México, mas o resultado final não poderia ser mais a cara do Rio. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.