Marcio Fernandes/AE
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Nova sede do MAC USP aguarda solução de impasse para ser aberta

Segundo diretor, a 'universidade não poderia assumir as despesas, nem solicitar serviços' sem o Termo de Permissão de Uso. Documento definitivo foi assinado em 23 de abril

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 10h52

Na Avenida Pedro Álvares Cabral, em frente do Ibirapuera, os portões da nova sede do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, edifício onde funcionava o Detran, estão fechados. O visitante que quiser ver a exposição O Tridimensional no Acervo do MAC: Uma Antologia terá de procurar, com empenho, pela única abertura que dá acesso à instituição: uma entrada ao lado de uma das saídas da passarela Ciccillo Matarazzo - a que liga o prédio ao parque. Desde janeiro é assim. Não há público no museu.

Escolas não podem agendar visitas ao novo espaço do MAC - aberto de terça a domingo, das 10 às 18 horas - e o estacionamento somente recebe, excepcionalmente, idosos ou portadores de alguma deficiência. A mostra com 17 esculturas, abrigada no térreo do edifício projetado na década de 1950 pelo arquiteto Oscar Niemeyer para ser o Pavilhão da Agricultura no Conjunto Arquitetônico do Ibirapuera, foi aberta em 28 de janeiro durante evento que marcou a inauguração da nova sede do MAC. Mas foi uma abertura parcial, pois a entrega do prédio pela Secretaria de Estado da Cultura, responsável pela reforma do prédio desde 2009, está prevista para junho.

“Foi assinado um decreto (publicado em 14 de fevereiro) pelo governador (Geraldo Alckmin) passando o edifício para o museu, mas, para estabelecer atividades como proprietária daquele espaço, a USP teria de ter em mãos o Termo de Permissão de Uso”, diz o diretor do MAC, Tadeu Chiarelli. Segundo ele, o documento definitivo foi assinado no último dia 23 de abril. “A universidade não poderia assumir as despesas, nem solicitar serviços ou abrir nenhum tipo de licitação sem esse termo”, completa Chiarelli.

“Esperávamos mais. Planejávamos ver o prédio inteiro”, disse o turista alemão Thomas Hengster, cientista da computação que percorria a cidade com a namorada, Bettina Kellerer. Ambos de Munique, foram os únicos visitantes da mostra no período de dois dias em que a reportagem do Estado esteve no local.

Numa prospecção “positiva”, na verdade, o prédio só será ocupado em sua totalidade pelo museu em 2013 - justamente quando o MAC comemora 50 anos. “Só poderemos entrar depois de ter testado os espaços, é compasso de espera. A equipe do museu está trabalhando para tentar viabilizar, para setembro, a exposição no anexo (original do projeto de Niemeyer e abrigado atrás do edifício principal) com obras do Carlito Carvalhosa e do Mauro Restiffe. É o único compromisso que o MAC possui com terceiros”, afirma Chiarelli. As outras mostras temporárias e permanentes com obras do acervo do museu, previstas para ocupar os seis andares do edifício (cada um deles com 3 mil m² ), serão inauguradas posteriormente (leia abaixo).

Não se trata apenas da questão do espaço físico, mas será trabalhoso o processo de ocupação e instalação do museu no prédio. A estimativa é que a USP gaste R$ 9,468 milhões para a compra de mobiliário e de equipamentos, produção das exposições e até para aquisição de obras. “É uma conquista a cada passo”, diz Chiarelli, que assumiu a direção do MAC em abril de 2010.

Números:

76 mi de reais é o valor usado pela Secretaria de Estado da Cultura na reforma do prédio, iniciada em agosto de 2009

9 mi de reais é a estimativa do gasto da USP com a instalação do museu na nova sede

9  mil e 657 obras formam acervo do MAC, contando comodatos e coleções em guarda administrativa

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