Nova sede do MAC terá concurso internacional

O Museu de Arte Contemporânea (MAC) de São Paulo tem um período animado pela frente. Reformando sua sede na USP e prestes a tornar viável o sonho de contruir uma ampla sede, compatível com um dos maiores acervos da América Latina e capaz de lhe dar a visibilidade de que necessita, o museu universitário pretende assumir uma posição de grande destaque no circuito artístico brasileiro.Há anos batalhando para conseguir resolver uma certa esquizofrenia em seu arranjo espacial, os administradores do museu conseguiram que a Prefeitura de São Paulo cedesse um terreno de 5 mil metros quadrados num local nobre da cidade.Curiosamente, a área pertenceu a Ciccillo Mattarazzo, figura central na história do MAC. Foi ele quem praticamente criou o museu, em 1963, ao tranferir para a Universidade de São Paulo não apenas seu acervo pessoal, mas as obras que pertenciam à coleção do Museu de Arte Moderna (MAM), do qual foi fundador e com cuja direção havia rompido.Ainda é cedo para falar sobre aspectos concretos do novo prédio. Mas o diretor do museu, José Teixeira Coelho, promete uma obra de grande impacto. "O MAC será um dos novos grandes gigantes do cenário museográfico nacional", afirma. A idéia é construir um museu vertical, até porque por lei será necessário preservar metade do terreno, de aproximadamente 12 mil metros quadrados, sem nenhuma construção. O projeto será escolhido por meio de um concurso internacional, cujas inscrições devem ser abertas em um ou dois meses, quando acontecer a reinauguração do prédio da USP."Tudo tem de estar decidido nos próximos meses", afirma Teixeira Coelho, convencido de que um projeto dessa dimensão não pode ser diluído no tempo. Confiante de que um projeto como esse valoriza a imagem do patrocinador, ele acha que conseguirá obter o investimento institucional necessário.Para construir uma sede próxima à ideal são necessários no mínimo US$ 35 milhões, incluindo a verba necessária para financiar os primeiros anos. A construção de Guggenheim em Bilbao, por exemplo, custou US$ 50 milhões. Um valor equivalente foi orçado para aquisição de obras e manutenção do prédio.O terreno da Barra Funda não caiu dos céus e, para encontrá-lo, foi necessário um ano e meio de buscas. A doação foi tornou-se viável através do Projeto Água Branca, da Emurb, que previa que uma parte do lote onde estão sendo construídas três torres que fossem destinadas a um projeto de uso público. Desde que assumiu o MAC, em 1998, Teixeira Coelho vem procurando resolver o problema de espaço do museu. A primeira tentativa foi conseguir um espaço no Ibirapuera, mas foi inútil.Há, na região da Barra Funda, fortes embriões culturais, como o Memorial da América Latina e o Sesc Pompéia, e uma boa rede de transporte público. Além disso, havia a obrigação de ir para um lugar onde o MAC não fosse mais um, e sim o museu. Enquanto isso, o problema da falta de visibilidade foi resolvido com a parceria com o Sesi.A reforma do prédio da USP, financiada pela Fapesp, custará R$ 2,5 milhões e deverá estar concluída em pouco mais de um mês. Não foram feitas grandes mudanças estruturais, mas umaadequação do prédio a suas funções museológicas. A instituição ganhou um espaço completamente climatizado e uma infra-estrutura mais sólida. Essas intervenções também vão reduzir substancialmente a interferência nefasta de elementos arquitetônicos como o desenho do teto e das colunas na fruição das obras.Também foi criado um gabinete de papel, com o apoio daFundação Vitae, que garantiu uma verba de R$ 100 mil. Esse gabinete permitirá ao público consultar diretamente as obras sobre papel pertencentes ao museu.Com essa reforma e a construção do novo prédio, o anexo que o museu mantém na USP ficará basicamente voltado para atividades das divisões de ensino e educação cultural. Teixeira Coelho evita fazer prognósticos em relação à área que o MAC detém no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, mas provavelmente ela será uma importante peça de negociação nessa corrida para a construção da nova sede.

Agencia Estado,

24 de setembro de 2000 | 16h16

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