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Nova premiação na China é caminho para pesquisa sobre arte pública

Finalistas participarão de um fórum e terão projetos apresentados em uma publicação

Camila Molina,

11 Julho 2012 | 22h30

O 1.º Prêmio Internacional para Excelência em Arte Pública, que será concedido em novembro em Xangai, não vai ser em dinheiro, mas o artista vencedor e os criadores finalistas participarão de um fórum, como também terão seus projetos apresentados em uma publicação. "Esperamos atrair um patrocinador para que a premiação conceda dinheiro ao ganhador, como o Pritzker, de arquitetura", diz Jack Becker, editor da revista Public Art Review e diretor da Forecast, especializada em pesquisa na área. "A China está buscando parceiros internacionais para vários projetos e uma possibilidade é a de os artistas premiados serem convidados para fazer projetos na Ásia e nos EUA", conta a curadora Katia Canton.

É, portanto, a primeira etapa de um projeto que terá continuidade e pesquisa na área (o comitê ainda busca um curador africano para representar o continente). "Para este ano, ficamos focados em arte pública e criação de espaços, um segmento do gênero. Foi uma maneira de jogar luz na questão sobre como cidades podem incorporar a arte pública para melhorar lugares, na maneira como artistas podem participar em uma escala com maior reverberação", afirma Becker. "Vemos esse campo crescer nos últimos 30 anos para além da criação de murais, monumentos e memoriais. Mas muitos artistas têm seus projetos barrados porque há um conceito enraizado de que devem construir objetos permanentes ou muros de arte", continua o americano, que se define fã da dupla brasileira osgemeos com sua "vibrante e sofisticada arte de rua" feita com grafite.

"Quando você fala em arte pública hoje, não penso em grafite ou pichação e nem entendo como uma prefeitura pode passar a destinar grandes espaços em paredes cegas para projetos cuja seleção a gente nem sabe a cargo de quem estará e quais os critérios para tal escolha. Assim arriscamos ter uma leva de ideias kitsch para uma cidade já tão conspurcada em sua visualidade", afirma, de uma forma radical, a crítica, curadora e historiadora Aracy Amaral. Ela se refere a São Paulo, que, recentemente, com sua Lei Cidade Limpa, concedeu paredes de prédios para que artistas fizessem seus grafites. Entre os participantes do programa esteve o grafiteiro Eduardo Kobra, finalista do prêmio internacional de arte pública e que agora está criando um mural em Los Angeles. "Ele reviveu a história de São Paulo com essas obras", diz Katia Canton, referindo-se à série Muros da Memória, com paisagens memorialistas grafitadas como se fossem fotografias antigas.

"Toda arte é pública. A eficiência da rua como lugar para uma manifestação é um outro problema. Como eficiência em arte se mede pela capacidade de desdobrar sentidos e não pela quantificação de audiência, estar ou não na rua é um atributo específico de cada manifestação, seja de que século for, e o simples fato de ocorrer na rua em absoluto lhe garante esta capacidade", afirma o escultor José Resende. Em dezembro, sua obra pública Olhos Atentos, em Porto Alegre, foi ameaçada de ser removida pela prefeitura da cidade por falta de restauro - mas depois de repercussão, o problema foi resolvido.

Além da discussão conceitual sobre a atualidade da arte pública, muitos são os entraves práticos relacionados ao gênero. Falta de conservação de obras, descaso sobre a responsabilidade da preservação de trabalhos que se tornam patrimônio de cidades e ausência de programas e editais estáveis - a Secretaria Municipal de Cultura promoveu o projeto Arte na Cidade, de R$ 1,2 milhão, mas destinado a trabalhos efêmeros -, são alguns exemplos. "Um desafio da arte pública é estar diretamente em contato com o público sem intermédios de instituições. As cidades não são mais pensadas e elaboradas para as pessoas e sim para os carros e grandes empreendimentos imobiliários ou qualquer lobby que pague mais", diz o artista Kboco.

 
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