Nova onda mudou tudo na frança

Foi um dos movimentos mais importantes da história do cinema, como o expressionismo alemão e o neo-realismo italiano.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

13 de setembro de 2010 | 00h00

Na segunda metade dos anos 1950, a França era um país de velhos. Governantes, artistas, todos eram de terceira idade. Do outro lado do Atlântico, nos EUA, Hollywood celebrava a juventude transviada de James Dean, Elvis Presley era o rei do rock. Foi nesse quadro que uma geração de críticos, agrupada na revista Cahiers du Cinéma, fez a passagem para a direção. Eram todos jovens. Forjaram a expressão "nouvelle vague", nova onda, que se insurgia contra a velha onda. O rótulo veio de um artigo de Françoise Giroud, em 1958, na revista L"Express, em que ela falava de novas tendências, não só no cinema.

A nouvelle vague foi antecipada por um artigo emblemático de François Truffaut, em que ele demolia a tradição de qualidade do cinema francês dos veteranos. Para Truffaut, era um cinema esclerosado, de regras fixas. Até para ir contra eles, os diretores do que passou a ser chamado de "a nova onda" tiraram o cinema francês dos estúdios e o colocaram na rua, filmando com equipamento leve - câmeras portáteis, acopladas de gravadores que permitiam captar o som direto. Os filmes não revolucionaram apenas o método de produção.

Anarquistas de direita? Além de baratos - e inventivos -, eram autorais, feitos por críticos que manifestavam sua cinefilia, por meio de homenagens e citações. E eram jovens de classe média ou pequeno-burgueses, que se interessavam mais por seus problemas afetivos do que pela política. Uma crítica frequente que se faz à nouvelle vague é a de que seus autores seriam anarquistas de direita. Eles se politizaram - e esquerdizaram - depois. Jean-Luc Godard é o caso mais clássico, com sua evolução de O Pequeno Soldado para A Chinesa.

Roger Vadim antecipou o movimento e lançou Brigitte Bardot em E Deus Criou a Mulher, em 1956. A nouvelle vague teve outros precursores - Alexandre Astruc, Jean-Pierre Melville.

O ano de 1959 é o oficial de sua fundação, com os filmes de François Truffaut, Os Incompreendidos, e Alain Resnais, Hiroshima, Meu Amor. Claude Chabrol foi da nova onda desde o começo, com Godard, Eric Rohmer e Jacques Rivette, entre outros. Da França, o movimento ganhou outros países e inspirou movimentos como o Free Cinema e o Cinema Novo.

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