Renato Rocha Miranda/Divulgação
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Nova novela das 6 resgata os anos 1940

Das autoras de 'Cordel Encantado', 'Joia Rara' põe budismo no contexto histórico da Intentona Comunista e da 2ª Guerra

Cristina Padiglione, O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2013 | 16h34

 Folhetim que se preze pode até oferecer contexto histórico real no Portfolio de seus personagens, mas, sem uma boa dose de licença poética, o resultado será um documentário, e não uma novela. Joia Rara, título que ocupará a faixa das 18h da Globo a partir de 16 de setembro, permite-se levar monges que vivem do Himalaia ao Brasil do pós-guerra, nos anos 1940. Criação de Duca Rachid e Thelma Guedes, esta é a quarta novela da dupla de autoras responsável por O Profeta, Cama de Gato e, cereja do currículo, Cordel Encantado, folhetim que rendeu aplausos e crítica e público.

 

A direção-geral é de Amora Mautner, diretora que também esteve em Cordel e ganhou holofotes em Avenida Brasil. A arte de fazer com que todos os personagens falem ao mesmo tempo, uma das proezas da dinâmica de Avenida Brasil, promete estar novamente em cena agora, graças a cenários como um cortiço e um cabaré. Tem até o Marcos Caruso, que, como o seu Leleco do Divino, terá a chance de movimentar o set de novo, agora como dono do cabaré.

 

“Nosso cabaré jamais aconteceu na década de 30 ou 40, é totalmente atemporal”. É claro que a gente tem uma preocupação em deixar claro que as coisas não são daquele jeito”, explica Thelma. O público há de notar onde há uma dose de ficção, até porque, como lembra Duca, “não estamos fazendo documentário”. Para a dupla, que falou ao Estado em um restaurante próximo do flat onde a novela é escrita, em São Paulo, a graça de fazer ficção está aí. “O cinema americano tem feito tanto isso, veja o Tarantino”, cita Thelma: “ele reinventa a história”.

 

O enredo. Para fins de ficção de fato, os diálogos não citarão nominalmente o Nepal, onde a equipe gravou por 20 dias, nem o Everest como “a montanha” onde o mocinho Franz, vivido por Bruno Gagliasso, sofrerá um acidente, devido a uma avalanche. Ele será salvo por monges de um mosteiro que na história é localizado genericamente na região do Himalaia.

 

No mosteiro, Franz fará grande amizade com Ananda Rinpoche, o grande líder espiritual. É o papel de Nelson Xavier, de quem Thelma e Duca se comovem ao falar: “ele está de chorar, um verdadeiro monge”.

Ananda logo morre, e o público saberá desde o início que a saga de seus discípulos, como Caio Blat - que raspou a cabeça para o papel - será buscar o corpo que recebeu a alma do mestre. Ela estará na pequena Pérola, interpretada por Mel Maia - que foi Rita/Nina na primeira fase de Avenida Brasil. Aqui, ela é filha de Franz e Amélia, a mocinha da novela, defendida por Bianca Bin. Amélia é operária da fábrica de Ernest, vivido por José de Abreu, “quase um nazista”, define Duca. Amélia será confundida com uma comunista, o que não é, embora venha de uma família militante pela causa. Por dez anos, verá a filha apenas na prisão. 

 

Além do Himalaia, que segundo as autoras aparecerá durante a novela toda, os cenários abrangem ainda a Copacabana da época e a Lapa boêmia. E o elenco se estende aos créditos de Domingos Montaigner, Letícia Spiller, Angelo Antonio, Carolina Dieckmann, Mariana Ximenes, Thiago Lacerda, Luiz Gustavo, Luiza Valdetaro, Reginaldo Faria, Nicette Bruno e Tiago Abravanel, entre outros. Tem ainda Carmo Dalla Vecchia, o vilão, que vem a ser filho bastardo de Ernest e, portanto, irmão do mocinho Franz. Se assim não fosse, não seria novela.

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