Nova geografia de São Paulo

Registrando a cidade do alto, a fotógrafa Claudia Jaguaribe criou a polis condensada

ANTONIO GONÇALVES FILHO, O Estado de S.Paulo

05 de abril de 2013 | 02h13

Primeiro livro publicado pelo Estúdio Madalena, que realiza eventos como o Paraty em Foco - Festival Internacional de Fotografia, Sobre São Paulo, da fotógrafa Claudia Jaguaribe, será lançado hoje, na SP-Arte. Trata-se de uma obra incomum, tanto no aspecto formal como conceitual. Produzido entre 2011 e o ano passado, Sobre São Paulo, como sugere o título, mostra a metrópole do alto, registrada de coberturas de prédios e helicópteros. Essas imagens formam cinco sequências panorâmicas espalhadas por quase 20 metros de páginas ligadas entre si, num projeto gráfico ousado, cobrindo os principais bairros da cidade. Elas não correspondem exatamente aos panoramas consagrados pela tradição iconográfica nascida com os primeiros fotógrafos. Na verdade, é uma sequência montada de forma um tanto aleatória, capaz de transmitir ao leitor a mesma sensação de estar perdido numa cidade dominada por muitos prédios e poucos pontos de referência.

Claudia, carioca, que vive há 24 anos em São Paulo, sempre fotografou a cidade, mas só depois de publicar o livro Entre Morros (Editora Cosac Naify), sobre o Rio de Janeiro, veio a ideia de fazer algo semelhante na metrópole que escolheu para viver. "Era importante escolher um único ponto de vista para registrar São Paulo, como se fosse possível andar lateralmente, sem barreiras físicas, e criar uma visão que definisse a cidade, cuja geografia foi anulada pelos prédios." Com design gráfico de Mariana Lara e edição da própria artista (com a ajuda de Julia Rettmann), o livro traz trechos de textos e músicas sobre São Paulo escolhidos pela autora. Entre os autores estão os contemporâneos Paulo Leminski, Arnaldo Antunes e Criolo, além de outros mais antigos, como Padre Anchieta e Prestes Maia.

"Há uma frase de Glauco Alexander, publicada no Estadão, que diz que você sabe que está em São Paulo quando não sabe onde está, e eu concordo, pois o que você vê é a indefinição diante do gigantismo da metrópole ", diz Cláudia, que, numa tentativa de condensação, manipulou digitalmente essas imagens para fazer justiça ao perfil da cidade traçado por Bezerra de Menezes em 1954: "São Paulo, num só minuto, é o Brás, Tietê, Viaduto, barracas de flores e a multidão".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.