Richard harbaugh/a.m.p.a.s.
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Nova exposição em Los Angeles reúne peças icônicas de Hollywood

São 150 itens, incluindo a jaqueta de Indiana Jones e o fraque de Chaplin

Elaine Guerini , Especial para O Estado de S. Paulo

03 de fevereiro de 2015 | 19h03

LOS ANGELES - A jaqueta de couro de Indiana Jones só ficou pronta na noite anterior ao início das filmagens de Os Caçadores da Arca Perdida (1981). Como a peça chegou ao set nova em folha, a figurinista Deborah Nadoolman Landis e o ator Harrison Ford passaram a noite danificando o couro com canivete suíço, escova de aço e lixa. Na manhã seguinte, quando Ford vestiu a jaqueta para encarnar pela primeira vez o arqueólogo aventureiro, o figurino caiu perfeitamente no personagem, dando a impressão que ele usava a roupa há anos.

Essa e outras histórias envolvendo figurinos de filmes são lembradas na exposição Hollywood Costume, aberta ao público até 2 de março no edifício da Wilshire May Company Building, em Los Angeles. São cerca de 150 peças, abrangendo mais de 100 anos de cinema. A mostra inclui desde o fraque preto desgastado que Charles Chaplin usou para rodar o curta O Vagabundo (1915) até o traje criado por Judianna Makovsky para o protagonista de Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014).

Foram mais de cinco anos para reunir a seleção de figurinos emblemáticos, vistos em 126 filmes. Como os estúdios de Hollywood costumam leiloar as roupas depois das filmagens, Landis, que assina a curadoria, precisou localizar os colecionadores particulares (cerca de 60), em várias partes do mundo. Além do primeiro filme de Indiana Jones, Landis assinou o guarda-roupa das produções Um Lobisomem Americano em Londres (1981) e O Quarto Poder (1997), entre outras. 


Ao todo, mais de 80 designers têm seus trabalhos expostos, incluindo Sandy Powell (Gangues de Nova York, de 2002), Catherine Martin (Moulin Rouge, de 2001) e Deborah L. Scott (Titanic, de 1997). Outro destaque é a figurinista Edith Head (1897-1981), que atuou nos anos dourados de Hollywood. Logo na entrada da exposição, estão as oito estatuetas do Oscar que ela conquistou ao longo da carreira. 

Quatro produções com roupas criadas por Head estão representadas, incluindo o épico assinado por Cecil B. DeMille Sansão e Dalila (1950) e Os Pássaros (1963), de Alfred Hitchcock. Integra a mostra o terninho verde pálido usado pela atriz Tippi Hedren neste último título - onde Hitchcock preferiu um traje que passasse despercebido pelo público, para que nada o distraísse durante o ataque das aves. “Edith sabia como trabalhar com Hitchcock. Fazia de um jeito que o diretor achava que as ideias tinham partido dele”, disse Tippi, em depoimento em vídeo.

Vista pela primeira vez no Victoria and Albert Museum, o V&A, de Londres, Hollywood Costume está dividida em três seções. Act One: Deconstruction revela o processo de criação, exibindo (além das roupas) esboços, desenhos, trechos de roteiros e anotações dos figurinistas sobre pesquisa e inspiração. “Encontrei o roupão de banho do personagem The Dude numa loja popular”, lembrou Mary Zophres, que vestiu o ator Jeff Bridges em O Grande Lebowski (1988).

Act Two: Dialogue propõe analisar a colaboração entre diretores, atores e figurinistas. Graças aos depoimentos em vídeos, o visitante tem a impressão de acompanhar as conversas dos profissionais nos bastidores. Aqui há uma área dedicada exclusivamente a Meryl Streep, com peças que a atriz usou em A Mulher do Tenente Francês (1981), Entre Dois Amores (1985), A Dama de Ferro (2011), entre outros filmes. “Dou muito trabalho aos figurinistas, por sempre ter uma ideia formada do que a minha personagem vestirá”, contou Streep. 

Act Three: Finale conta com alguns dos figurinos mais glamourosos de Hollywood, como o vestido branco esvoaçante de Marilyn Monroe em O Pecado Mora ao Lado (1955), uma criação do designer Travilla. A exposição termina com uma das peças mais cobiçadas da memorabilia da indústria do cinema: o par de sapatos vermelho rubi (um dos quatro originais criados por Adrian) de Dorothy Gale, usado por Judy Garland no clássico O Mágico de Oz (1939).

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