Nova coleção leva polêmica à literatura infantil

A editora é conhecida por seu extenso catálogo de 700 obras nas áreas de ciências sociais e educação. A partir de agora, a Cortez pretende também ser identificada como um selo diferenciado de literatura infanto-juvenil, lançando 19 títulos de uma só vez, que totalizam nada menos que 200 mil exemplares. O investimento é alto: R$ 1,5 milhão. A ambição não é menor: tratar de temas normalmente ausentes em livros dedicados a crianças e jovens, como consumismo, inclusão social e diversidade (sexual, racial, comportamental) - todos eles escritos e ilustrados por autores e artistas brasileiros, outra aposta da editora, que completou 24 anos em janeiro. Serão lançados 44 títulos infanto-juvenis este ano, com uma tiragem média de 10 mil exemplares cada um, quase todos produzidos por encomenda do coordenador editorial Amir Piedade, também autor de um dos primeiros livros da série, São Paulo - De Colina a Cidade, revisão da história da metrópole que compara a São Paulo de hoje com a província dos primeiros tempos. Entre os ilustradores convidados estão nomes disputados como Eduardo Vetillo, André Neves e Graça Lima. A longa lista de autores tem desde veteranos, como Tatiana Belinky, até profissionais que implantaram projetos diferenciados na área de pedagogia infantil, como Rossana Ramos, diretora da Escola Viva de Cotia. Algumas obras lançadas amanhã foram submetidas a professores da rede estadual, convidados pela Cortez para sugerir alterações temáticas. Foi assim que nasceu o livro Na Minha Escola Todo Mundo É Igual, escrito por Rossana Ramos e ilustrado por Priscila Sanson. Seu livro faz o elogio à diversidade ao apresentar crianças autistas ou com deficiências físicas - surdas, paraplégicas, cegas -, além de portadores da síndrome de Down, que freqüentam a mesma escola. Outra característica da coleção é a de incluir autores ligados a diferentes áreas de conhecimento. A bióloga Maria de Lourdes Coelho, com especialização em saúde comunitária, escreveu Pedro Compra Tudo para alertar os pequenos sobre os perigos do consumismo. Temas polêmicos fazem parte da tradição da Cortez, fundada por José Xavier Cortez, um ex-marinheiro nordestino cassado por insubordinação pelos militares, em 1964. Sem emprego, conquistou uma bolsa da PUC, estudou e montou uma pequena livraria na universidade católica, em São Paulo, que cresceu, virou editora e publicou autores importantes, como o educador Paulo Freire e o sociólogo francês Edgar Morin.Com projeto gráfico impecável, a coleção foi desenvolvida pelo paranaense Amir Piedade, professor de Literatura Infantil: "nosso objetivo é o de estimular a reflexão e o questionamento", resume o coordenador editorial. Esse estímulo poder vir de histórias contemporâneas ou de lendas brasileiras, como a do negrinho do pastoreio, recontada no livro Coisas do Folclore, de Nelson Albissú.

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