Nova arte pública

Grupo de artistas internacionais busca mudar conceito e integrar ações para melhorar vida comunitária

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h08

Em 2000, o escultor suíço Not Vital comprou um terreno em Agadez, na Nigéria, para construir uma série de estruturas arquitetônicas que se tornariam seu projeto de arte pública para a localidade, região derradeira do deserto do Saara. Makaranta é o prédio que funciona como escola para as crianças da etnia tuareg, mas há ainda as piramidais A Casa para Ver a Lua e A Casa para Ver o Pôr do Sol entre as construções do complexo. "Há um novo conceito de arte pública ancorada na melhoria da vida das pessoas, micropolítica, apartidária, feita de ações que dizem respeito a comunidades", diz a crítica, curadora e professora do Museu de Arte Contemporânea da USP, Katia Canton.

Em maio, ela participou de reuniões em Xangai e em Wu Zhen, na China, integrando o comitê internacional que vem sendo formado para dedicar-se a ações relacionadas a arte contemporânea e espaços públicos. "A ideia de arte pública apenas pela questão retiniana está esgotada", afirma a crítica. Seus colegas no comitê são o britânico Lewis Biggs, ex-diretor da Tate Liverpool; o americano Jack Becker, editor da revista Public Art Review; a turca Fulya Erdemci, curadora da Bienal de Istambul de 2013; a japonesa Yuko Hasegawa, curadora-chefe do Museu de Arte Contemporânea de Tóquio; e o chinês Wang DaWei, da Universidade de Xangai.

Por duas semanas o grupo analisou cerca de 100 projetos - a maioria relacionada ao conceito de cidadania - para selecionar 20 obras que concorrem ao Prêmio Internacional para Excelência em Arte Pública (Iapa, na sigla em inglês), promovido pela Universidade de Xangai e cujo vencedor será anunciado em novembro.

O trabalho de Not Vital, na Nigéria, está entre os finalistas, assim como a High Line de Nova York e o parque cultural Tiuna el Fuerte em Caracas, Venezuela. Apenas dois brasileiros figuram na seleção, o grafiteiro Kobra e o projeto Jardim Miriam Arte Clube (Jamac), na periferia de São Paulo e capitaneado pela pintora Mônica Nador. "Limitamos nossa pesquisa a projetos concluídos nos últimos seis anos", conta Jack Becker. A premiação suscita a reflexão sobre a atualidade da arte pública. "É uma das coisas que faltam para que o espaço público volte a ser público e agradável", opina o artista Kboco.

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