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Nova Arena pode chegar para dar equilíbrio

Barra Funda terá espaço para até 60 mil pessoas, mas faltam locais médios

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2013 | 02h13

Mesmo com poucos palcos especializados à disposição, o primeiro semestre de shows internacionais em São Paulo foi quente, e isso sem contar os festivais. Foram 107 de rock, 68 de heavy metal e 60 de indie rock. Apenas 5 deles foram para públicos acima de 10 mil pessoas - a maior parte foi para plateias menores, entre 500 e 2 mil pessoas (207 eventos).

Para Felipe Viveiro, do site Rockin'Chair, responsável pelo levantamento, "mesmo antes do fechamento do Via Funchal e do Citibank Hall, a cidade já era carente de mais espaços para espetáculos de portes variados. O fechamento dessas casas agravou ainda mais a situação, aumentando a concentração de shows nas poucas casas restantes".

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"A pirataria deflagrou uma crise de valor sem precedentes na indústria fonográfica. Talvez o boom de oferta de concertos de música realizados na rua gratuitamente esteja contribuindo para a crise das casas de espetáculo, que já competiam com grande dificuldade com várias ofertas de lazer, internet, etc...", analisa Micael Herschmann, autor do livro Indústria da Música em Transição (mestre e doutor em comunicação e coordenador-geral do Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação da UFRJ).

O fato é que houve perdas significativas em espaços de shows internacionais de música em SP, mas também alguns novos lugares desembarcaram na noite paulistana. É o caso do Cine Joia, na Liberdade, que se estabeleceu como um local de concertos pequenos (Feist, Cat Power, entre outros, tocaram lá), e do novo Cine Metrópole, na Avenida São Luiz (que, por enquanto, abrigou apenas um show internacional de peso, o inglês The Vaccines).

A falta de diversidade de espaços gera efeitos colaterais. Há reclamações diversas nos serviços ao público. Em abril, a cantora Regina Spektor suspendeu o bis de sua apresentação no Credicard Hall por temer um incidente. A empresa que a administra, a Time for Fun, soltou nota retrucando. "O show teve rápida interrupção e diminuição no seu bis, quando a cantora detectou uma suposta queda de cabo. Tão logo o show foi encerrado, ficou esclarecido que se tratava de uma corda leve de sisal usualmente utilizada para prender cortina e que não oferece nenhum risco", rebateu a empresa.

Novos projetos anunciam configurações diferentes dentro de áreas maiores, caso da Arena Palestra, complexo multiuso que deve receber até 60 mil pessoas na Barra Funda. É uma parceria do Palmeiras com a AEG, empresa que realiza cerca de 7 mil shows/ano e gere 100 arenas nos cinco continentes, com vínculo com artistas como Beyoncé, U2, Paul McCartney, Justin Bieber, entre outros. A AEG será parceira do Palmeiras num contrato de 10 anos, renovável por mais 20.

"Pode ser uma alternativa. Mas o mercado de shows da cidade não deve depender apenas da iniciativa e interesse de grandes grupos. O momento é bom para o setor e precisa ser mais bem aproveitado, também por iniciativas menores, vide o exemplo bem-sucedido do Cine Joia", analisa Felipe Viveiro. "Se São Paulo quiser se consolidar definitivamente no roteiro de turnês internacionais, precisa se espelhar na realidade de cidades como Nova York ou Londres, onde você tropeça em lugares interessantes para shows a cada esquina."

O levantamento do Rockin'Chair é o primeiro do tipo em SP - o site fez um também no fim de 2012, mas não dispunha de números tão apurados na época. A intenção agora é fazer um a cada seis meses. Para o segundo semestre, já há 100 concertos confirmados, nove deles megashows - entre eles, Red Hot Chili Peppers, Beyoncé, Bruce Springsteen, Stevie Wonder e Bon Jovi.

As principais empresas do ramo mostram curiosas contradições. A Geo Eventos, das Organizações Globo, que criou há dois anos o festival mais badalado de SP no momento, a edição brasileira do Lollapalooza, vive uma crise aguda. A empresa encolheu: em maio, demitiu 40 pessoas, metade de seus funcionários, e trocou sede própria em bairro nobre por um espaço modesto na editora Globo, no Jaguaré. Havia também a expectativa de que transferisse a organização do Lollapalooza para a Som Livre, que faz parte da mesma empresa.

Paradoxalmente, outros grupos investem em shows espaçados, em diferentes períodos do ano e com perfis também multifacetados. É o caso do evento Live Music Rocks, plataforma criada pela empresa XYZ. "Esse é um setor que ainda tem de levantar muitas bandeiras para ser reconhecido e gerar empregos e turismo", afirma Bazinho Ferraz, que luta para abrir a casa de shows Claro Live House no Jockey ainda este ano.

A companhia, além de peso do Papa Roach e o alternativo Gossip (agosto), planeja um Super Setembro na área dos concertos internacionais, com a diva Beyoncé, o hard rock do Iron Maiden, o metal soft do Bon Jovi, o folk de Bruce Springsteen e John Mayer e o rock lato sensu do Alice in Chains.  

ALGUNS NÚMEROS:

243

shows internacionais foram realizados no primeiro semestre, em São Paulo, segundo levantamento do site Rockin'Chair

177,50

reais é o valor médio dos ingressos para shows previsto para o segundo semestre. No primeiro semestre, era de R$ 116,52

2.500

espetáculos foram promovidos pelo Studio SP, que fechou as portas em maio, nos seus 8 anos de atividade no Baixo Augusta

7

mil é o número de lugares do Credicard Hall que, junto com o HSBC Brasil, são as duas casas de show mais ativas da cidade

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