Nouvelle Vague bota platéia para dançar no Sesc Pinheiros

Em turnê de lançamento do segundo álbum, 'Bande a Part', a banda passa longe da melancolia punk

Flávia Guerra, do Estadão,

14 de setembro de 2007 | 19h57

Nada de platéia comportada, quietinha em suas cadeiras. O coletivo francês Nouvelle Vague botou o público moderninho que lotava o Sesc Pinheiros na noite de quinta-feira, 13, para dançar na pista. De visual anos 20-cabaré esfumaçado, as divas Melanie Pain e Phoebe Killdeer começaram o show ao som da mais que cool Dancing with Myself ( só mesmo o Nouvelle Vague para transformar o rock anos 80 de Billy Idol em uma deliciosava balada folk).   Em versões que dão o charme folk-jazz-bossa nova-anos 60- pop francês a clássicos do rock, punk, a banda trouxe Brasil o melhor do repertório. Para muitos, eles não passam de "ótimos recriadores de covers". Cover ou não, o que importa é que o Nouvelle Vague sabe unir com charme o fino da bossa com as batidas melancólicas e até depressivas do punk e da new wave. Resultado: Momentos como em que Blue Monday (o clássico do New Order) ganhou um inconfundível ritmo folk que não deixou ninguém parado. Podia ser em Pinheiros ou em um cabarezinho decadente do Marais (bairro descolado de Paris).   Momento alto a bela leitura de Guns of Brixton, do Clash. Em turnê de lançamento do seu segundo álbum, Bande a Part, a banda prova que no palco passa muito longe da melancolia do punk . E dança ao som da cadência macia da bossa nova, a banda se esforçava para transformar o show em uma festa para os amigos. Enquanto os produtores (e líderes do bando) produtores Marc Collin e Oliver Libaux extraiam o melhor da bateria, violoncelo e teclado, a Melanie Pain tirou da cartola uma garrafa de whisky, copos e começou a servir a platéia. ksjfklsjf tirou os sapatos. Chamaram os fãs para dividir os passinhos ritmados que fazem a alegria dos marmanjos. "Malanie, je t’aime!", dizia um mais afoito.   Os fãs soltaram a voz em Too Drunk To Fuck (do Dead Kennedys). A delicada Melanie chamou a galera: Eu quero que vocês gritem, mas tem que ser muito alto. Esta vai ser a chance da noite de todos nós juntos. E o público não decepcionou. "Vocês são nosso melhor coral. Juro. Nunca vi nada assim", surpreendeu-se Phoebe. O público não se contentava e pedia: I Just Can't Get Enough (do Depeche Mode). Mas, na hora do bis, o Nouvelle trouxe o bom e velho hit do Joy Division, e também um de seus maiores hits, : Love Will Tear Us Apart . Em vez da melancolia do original, a platéia pulou ao som de mais uma versão que, como as outras, em vez de distorcer o original, conserva a essência e convida para dançar. A platéia aprovou e pediu: Again!   Mas para ver o Nouvelle Vague de novo, vai ser preciso viajar. Hoje é dia dos cariocas conferirem o show, no Circo Voador. Amanhã, o Recife recebe o coletivo, que integra a programação do festival Coquetel Molotov.

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