Notícias elevam ibope de Galisteu

"Adriane Galisteu é insegura", grita a capa da edição de julho da revista de celebridades Quem Acontece. A autora da frase é Luciana Gimenez, que no recheio da publicação espeta ainda mais a adversária com palavras que não soariam estranhas se saíssem da boca de Sylvester Stallone em Rambo: "(...) Infelizmente ela está no meu caminho e a gente vai ter que guerrear". Em entrevista ao JT, Adriane, a desafiada, garantiu não ter lido as declarações. E adotou a postura "não estou nem aí". "A Luciana é minha concorrente como qualquer outro apresentador que esteja no ar no mesmo horário. Não me preocupo com ela de maneira especial", disse, de seu camarim na Record, com a voz rouca depois de ter comandado ao vivo, por uma hora e meia, o programa É Show. Reformulada, a atração tem, desde a última terça, novo cenário, novos quadros e uma maior participação do departamento de notícias da Record - incrementar o jornalismo é o maior objetivo do novo diretor de Programação do canal, Eid Walesko. Além de exibir boletins com informações quentes, Adriane irá comandar um quadro de debates sobre "temas da atualidade, polêmicos, como a pena de morte". A cada semana, dois especialistas, com opiniões opostas, serão convidados para discutir um assunto. A apresentadora afirma que as mudanças nada têm a ver com a queda, nas três semanas anteriores, no Ibope do É Show e o coincidente aumento da audiência do Superpop. "Todo programa de tevê precisa ser repensado com freqüência. O público se desinteressa quando ele passa a ser previsível". A maior diferença na época foi de 2,5 pontos a favor de Luciana (4,5 a 2) em 26 de junho. No dia da estréia da nova fase do É Show, a média da Record foi de 6 pontos contra 4 da RedeTV! - e Adriane chegou ao pico de 11. Na quarta, ela teve média de 5 e Luciana, que deixou programas gravados para passar alguns dias em Londres (por isso não foi encontrada pela reportagem do JT), 4. Embora ambas as atrações sejam de variedades - e seus índices de audiência, próximos -, as linhas editoriais se distanciam cada vez mais. Enquanto o É Show mostrava, na terça, o ator Thiago Lacerda e a cantora Patrícia Coelho preparando pizzas, o Superpop exibia uma entrevista com Telma Lip sob a legenda "travesti revela caso com apresentador". Na quarta, Luciana recebia sadomasoquistas para uma performance no palco no mesmo momento em que Adriane entrevistava o bispo-cantor Marcelo Crivella sobre a seca no Nordeste. "Quero levar alegria e informação ao telespectador", diz a loira. "Pretendo abordar questões difíceis, como a miséria, apresentando iniciativas bem sucedidas de combate ao problema. Chega de choro!" A apresentadora se esquivou de fazer comentários sobre o programa concorrente. "Não me sentiria bem em julgar o trabalho de alguém que está na mesma atividade que eu." Há sete meses na Record, Adriane tirou recentemente duas semanas de folga. Esse período, em que a emissora exibiu programas pré-gravados, coincidiu com o da queda de sua audiência. Mesmo durante a viagem de férias aos Estados Unidos, na qual esteve acompanhada da mãe e dos amigos e colegas de trabalho Zé Pedro e Sacho, a apresentadora não deixou de trabalhar. "Trocamos muitas idéias. Fizemos reunião de pauta na Disney!", conta a loira workaholic - que chega à emissora sete horas antes de entrar no ar, mantém uma relação quase familiar com sua equipe e participa de todas as etapas de produção do programa no qual "pensa o dia todo". Nos intervalos da atração, enquanto os comerciais estão no ar, ela ainda encontra disposição para atender os fãs que, numa histeria coletiva, pedem fotos, beijos e autógrafos. Fora do ar, se dirige à platéia no mesmo tom que usa diante das câmeras: alegre, desinibido, festivo. Adriane recorre ao clichê "quem está na chuva é para se molhar" para falar de sua relação com o público. Ela escolheu viver na chuva e não se incomoda de compartilhar todos os acontecimentos de sua vida, sejam alegres ou tristes, com os fãs. Seu discurso é semelhante ao dos livros de auto-ajuda: pensar positivamente, olhar sempre à frente, não ter medo de agarrar as oportunidades e procurar aprender com os erros. Inabalável e vitoriosa - quem acreditava que Adriane teria uma sobrevida como celebridade depois da morte de Ayrton Senna, o namorado que a projetou? -, a apresentadora pode se dedicar à literatura do gênero quando se aposentar da tevê.

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