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Nossas variantes

Não é amor. Acho até que é parecido. Só olhando muito de perto para reparar na diferença

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2021 | 03h00

Não é amor. 

Mas é uma variante.

Não me olha assim. 

Até virar amor vai um caminho.

Talvez a gente não tenha paciência para percorrê-lo em sua plenitude. Sei lá quantas voltas a gente precisaria dar. Fico tonto só de pensar. Me falta fôlego. 

A lagarta pode ser mais bonita do que a borboleta.

Então, vamos aproveitar o sol.

E ser lagarta mais um pouco. 

Pra que tanta pressa? 

Não é amor.

Mas é uma variante. 

Acho até que é parecido. Só olhando muito de perto para reparar na diferença. A cor é a mesma, o tamanho é igual e o cheiro continua bom. 

Pode ser tão contagiante quanto aquilo que chamam de amor.

No fim, é só um nome que se dá. 

Entendo a importância de batizar as coisas.

Podemos inventar um nome, escolher qualquer palavra do dicionário ou criar um idioma.

Mas não, não é amor.

É uma variante.

Uma variante dessas que nasce no peito de gente distraída, desavisada e despreparada feito eu e você. 

Um bichinho que a gente alimenta com pequenas maravilhas, como o som da sua voz, o modelo dos seus óculos e esse diastema.

Ai, Jesus, o diastema!

Uma lástima ser privado dos seus dentes separados. 

Mas não é amor.

É uma variante.

Não acredite se te disserem ser pouca coisa.

Mas também não crie expectativas exageradas.

É tudo o que eu tenho no momento.

É minha maior aposta, minha melhor versão.

Vamos deixar rolar essa febre. 

Vamos cair de cama por uma semana. 

Eu já estou vacinado. E você?

Mas, de novo, não é amor.

É uma variante.

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