Nossas escolhas de 2012

Equipe do Caderno 2 seleciona os melhores acontecimentos de dez áreas culturais, que agitaram o ano, no Brasil e no mundo

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h14

As surpresas na cultura durante o ano de 2012 foram diversas e se estenderam para todas as áreas, como comprova o balanço feito pelo C2 - em dez setores mapeados pela equipe do caderno, foi possível lembrar de momentos inesperados, como a participação do habitualmente recluso escritor Raduan Nassar na Balada Literária, no final de novembro. Ou a forte presença da cinematografia francesa exibida em São Paulo, quase que nomeando 2012 como de fato o ano da França no Brasil.

Os jornalistas buscaram os melhores momentos em cinema, teatro, dança, artes visuais, literatura, televisão, moda, discos, shows, concertos e óperas - e montaram suas listas em ordem decrescente de predileção. O País (em especial, a capital paulista) foi alvo de grandes eventos, atraindo personalidades de porte, como o encenador americano Robert Wilson - além de atuar como ator (no monólogo A Última Gravação de Krapp, de Beckett), ele trouxe dois grandes espetáculos (Lulu e A Ópera dos Três Vinténs) e estreou mundialmente no Teatro Municipal de São Paulo a sua versão para Macbeth, ópera de Verdi.

Presença marcante também teve a atriz Adriana Esteves - no papel de Carminha, ela foi o grande destaque da novela Avenida Brasil, folhetim das 21 horas que, se não arrebentou recordes de audiência (ainda que o último capítulo tenha tido picos de 52 pontos), ao menos apresentou uma nova forma de teledramaturgia, com a ação se desenvolvendo em pequenos blocos a fim de sempre manter vivo o interesse do espectador ao longo da novela.

Astro mesmo foi Bob Dylan, que se apresentou em abril, realizando o show do ano. Sem dizer nem um obrigado à plateia, mas parecendo estar se divertindo muito, ele cantou músicas predominantemente de rock'n'roll na abertura de sua turnê pela América Latina. E, mesmo camuflado, foi flagrado pelo repórter Jotabê Medeiros perambulando tranquilamente em uma tarde por Copacabana, no Rio, escondido por trás de um gorro de lã, casaco preto e bota de caubói, mesmo com o calor beirando os 34°C.

A tropa francesa no cinema foi mais numerosa - nada menos que três filmes daquela cinematografia ocupam o topo dos melhores do ano. E, enquanto O Artista ganhou a chancela do Oscar, arrebatando a principal estatueta em fevereiro, Intocáveis é apontado como o grande favorito na categoria de estrangeiros, na premiação do ano que vem.

Entre os dois, Holy Motors surge como contraponto ao chamado cinemão, amparado em um roteiro complexo e exaltado, que provocou 10 minutos de aplauso após sua exibição no Festival de Cannes, em maio, mesmo com alguns críticos ressaltando o enredo complicado e a dificuldade de compreensão da obra.

Outro trunfo francês, a grife criada pelo estilista Christian Dior (1905-1957) manteve seu brilho agora sob o comando de Raf Simons que, em seu primeiro desfile, em julho, apoiou-se nos ícones da grife. Assim, ao voltar ao passado, propôs um futuro em que clássico e contemporâneo se encontram e formam um presente híbrido.

E, na literatura, em meio à despedida de Philip Roth da escrita, o destaque foi o relançamento da obra completa do polonês Bruno Schulz, além das novas traduções de Ulysses, de James Joyce, e de D. Quixote, de Cervantes.

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