'Nós temos ignorado demais a América Latina'

Em fevereiro do ano passado, o presidente do Museu d'Orsay, Guy Cogeval propôs ao Centro Cultural Banco do Brasil a realização de uma grande exposição com os tesouros da instituição francesa no País.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2012 | 03h09

Impressionismo: Paris e Modernidade marca um política de internacionalização do Museu d'Orsay?

O Museu d'Orsay é, por natureza, internacional. Dos grandes museus estatais da França, ocupamos, entre o Louvre e o Pompidou, um lugar intermediário. Mas ao mesmo tempo, nosso acervo, com o impressionismo, o pós-impressionismo e o simbolismo, é de um período que interessa ao público do mundo todo. Encaminhei para a ministra francesa um grande projeto de relativização do museu para os países latinos e, sobretudo, para a América Latina, que temos, até agora, totalmente ignorado.

Quais os desafios do d'Orsay, com seu acervo histórico?

É fazer a coleção viajar e atingir novos públicos. Nunca estivemos, por exemplo, no Chile, mas já em Cingapura.

A necessidade de mais espaço é um problema grave?

Absolutamente, sim. Parte deste problema está relacionado ao fato de o museu ser vizinho de um grande banco. E estamos instalados em um dos quarteirões mais caros do mundo. Há anos pleiteamos novos espaços, é uma queda de braço constante com os políticos. No ano passado, adquirimos uma coleção privada, doada ao museu, de 25 quadros de Vuillard e ainda 25 quadros e 100 desenhos de Bonnard. Mas na configuração atual, se não conseguirmos transformar uma parte administrativa do prédio em área expositiva, não há como mostrá-la.

O d'Orsay leva em consideração criar filiais?

É uma ideia que já surgiu, mas que sou hostil a ela.

Qual o orçamento do museu?

É de 55 milhões por ano. Temos cerca de 600 funcionários.

Além desta exposição no CCBB, novas parcerias de intercâmbio estão sendo firmadas com o Brasil?

Vamos fazer um projeto com a Pinacoteca do Estado, mas ainda vamos discuti-lo.

E com o Masp, que tem uma das mais expressivas coleções de impressionismo da América Latina?

Do Masp não vou falar. Tive uma experiência muito ruim com o Masp e o problema é que tenho uma memória muito presente e há maneiras de comportar-se que não se pode perdoar. / C.M.

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