Nos palcos, Elizabeth Bishop ganha voz

O ensaísta e poeta mexicano Octavio Paz, Nobel de literatura de 1990, referia-se à poeta americana Elizabeth Bishop como "mestre da difícil arte de dar voz ao silêncio". Observadora contumaz, tímida e de comportamento escorregadio, ela viveu no Brasil entre 1952 e 1967. Refugiou-se em Petrópolis, no Rio, e mais tarde em Ouro Preto, em Minas. Trinta e quatro anos anos depois de deixar o País e 22 após sua morte, a escritora silenciosa ganha voz - e quem a empresta é Regina Braga - no monólogo Um Porto para Elizabeth Bishop.Escrito pela jornalista Marta Góes, editora do SP Variedades do JT, e dirigido por José Possi Neto, o espetáculo estreou no Festival de Teatro de Curitiba, em março, com ótima repercussão de crítica e público. Nesta quinta, chega a São Paulo para uma temporada de dois meses no Teatro Sesc Anchieta. A peça recria os 15 anos de Bishop no Brasil, período apontado pela poeta como "o mais feliz de sua vida". Tem início com o desembarque dela no porto de Santos, aos 40 anos de idade, e termina, 36 cenas depois, com a volta definitiva aos Estados Unidos após o suicídio de Lota Macedo Soares - a aristocrata carioca por quem se apaixonou e com quem viveu durante todo o tempo em que esteve no País.Durante os 90 minutos em que interpreta a escritora, Regina Braga fala ininterruptamente. "Seria impossível caracterizar Bishop de maneira documental. Teria que ficar em silêncio, sentada numa cadeira com gatos no colo", diz. "Optei por demonstrá-la. Dei a ela uma velocidade que ela não tinha." Um Porto para Elizabeth Bishop, de Marta Góes. De 5ª a sáb., às 21h; dom., às 20h. R$ 20 e R$ 30 (sáb.). Teatro Sesc Anchieta (R. Dr. Vila Nova, 245. Tel.: 234-3003).Leia mais

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