Nos leilões de Nova York, uma festa latina

Tamayo e Di Cavalcanti são destaques em vendas na Christie's e na Sotheby's

TONICA CHAGAS , ESPECIAL PARA O ESTADO , NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2011 | 03h06

Para levantar fundos destinados a novas aquisições, o Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York, colocou em leilão na Sotheby's uma obra-prima de Rufino Tamayo (1899- 1991) que está na sua coleção desde 1953. Pela procedência que tem, o quadro Watermelon Slices, de 1950, deve alcançar valor entre US$ 1,5 milhão e US$ 2 milhões - e lidera as vendas públicas de arte latino-americana na cidade ao longo desta semana.

Na Christie's, a maior estimativa de preço é para uma das três edições do bronze Dancers, executado em 2007 pelo colombiano Fernando Botero e cuja avaliação de preço está na mesma faixa de Watermelon Slices. Criado no ano em que o pintor mexicano participou da Bienal de Veneza, Watermelon Slices representa uma de suas marcas registradas: fatias de melancias cujas cores lembram as da bandeira de seu país. O tema também tem um significado pessoal na obra de Tamayo, que na juventude ajudava uma tia a vender frutas na capital do México. O quadro integra uma pequena retrospectiva do artista na Sotheby's, que oferece mais sete pinturas dele consignadas por outros colecionadores e marchands.

O casal de dançarinos que está no topo da lista de preços na Christie's é um daqueles bronzes monumentais de Botero, medindo 318,1 x 200 x 160 cm. A estatura do par, que é praticamente a mesma, o diferencia dos casais pintados pelo colombiano, nos quais um dos parceiros é bem menor que o outro - detalhe que aponta a importância de cada um na relação, como no quadro Dancing Couple, de 1982, à venda também na Christie's, com preço estimado entre U$ 700 mil e US$ 1 milhão.

Levantamento. Tamayo, com 13 obras, e Botero, com 9, encabeçam a lista dos autores das 61 pinturas que alcançaram preço acima de US$ 1 milhão nos mais recentes leilões de arte latino-americana realizados em Nova York, segundo levantamento feito pelo crítico chileno Gonzalo Fontanés. Ele não inclui leilões de outras categorias e, por isso, não cita o escultor brasileiro Sérgio Camargo (1930-1990) e as brasileiras Beatriz Milhazes e Adriana Varejão, que ultrapassaram a marca em vendas públicas de arte contemporânea.

Da relação de Fontanés, Botero, de 81 anos, é o único ainda vivo e, nos leilões desta semana, ele tem chances de ultrapassar as estatísticas de Tamayo. Na pesquisa do crítico, o México lidera o grupo com oito pintores, cinco à frente do Chile, o segundo colocado, e tem os nove mais caros entre os 61 quadros. O recorde de preço, por enquanto, é de Trovador, pintado por Tamayo em 1945 e vendido na Christie's por US$ 7,2 milhões em maio de 2008.

Visibilidade. Artistas brasileiros ganham mais visibilidade em Nova York nesses grandes leilões, que impulsionam também a realização de exposições e eventos como a feira de arte latino-americana Pinta (leia texto abaixo). Colecionadores demonstram preferência por produções da década de 1940, ainda segundo Fontanés, que enumerou no seu levantamento 17 delas produzidas naquele período. Este é mais um ponto a favor da obra mais cara entre os lotes de arte brasileira, a Natureza Morta, com peixes, frutas e garrafas pintada por Di Cavalcanti (1897- 1967) por volta de 1945 e oferecida na Sotheby's. Segundo informação no catálogo da casa, o quadro vem de coleção particular brasileira e tem preço calculado entre US$ 450 mil e US$ 650 mil.

A obra que ilustra a capa do catálogo da Christie's também é um Di: o óleo sobre tela O Homem e a Máquina, feito em 1966 por encomenda da Olivetti do Brasil, cotado entre US$ 200 mil e US$ 300 mil. Essa estimativa é um pouco menor da que os leiloeiros dão para Mulata Sentada na Frente da Mesa com Pandeiro, do mesmo Di Cavalcanti. A Christie's espera que este óleo sobre tela pintado em 1954 alcance preço em torno de US$ 350 mil e US$ 450 mil (o quadro já havia sido arrematado no leilão daquela casa, em novembro de 2007, por US$ 301 mil).

A Olivetti também está oferecendo em leilão Bandeirinhas Estruturadas, um Volpi da mesma época que a pintura de Di, com preço estimado entre US$ 250 mil e US$ 350 mil. O leilão da Christie's ocorre em uma sessão hoje à noite e outra amanhã de manhã; o da Sotheby's é dividido em sessões amanhã à noite e na quinta-feira de manhã.

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