Nos EUA, a versão de Morris

Pela primeira vez em oito anos, a infalível produção de Mark Morris para o balé O Quebra-Nozes, com música de Tchaikóvski, está voltando à sede da companhia no Brooklyn, onde fez sua estreia em 1991. A versão de Morris, The Hard Nut (a noz dura, em tradução literal), baseada num conto soturno de E. T. A. Hoffmann, brinca com os papéis de gênero tradicionais e dispensa os grupos de crianças adoráveis para concentrar o foco na dança e na partitura. Com a palavra, mr. Mark Morris.

Julie Bloom, The New York Times, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

O que na música o atraiu inicialmente para O Quebra-Nozes?

Ouvi a partitura completa pela primeira vez quando tinha provavelmente 15 ou 16 anos - porque a maioria das versões estraga a música de certa forma - você sabe, todo o mundo corta alguma coisa. De modo que minha intenção era fazer a linda e grandiosa partitura completa, do começo ao fim, com o máximo possível das marcações do metrônomo de Tchaikóvski. E também para realmente fazer apreciarem a incrível música do Ato I, no qual as pessoas geralmente dormem. Ela é fabulosa.

Minha intenção era também superar meu preconceito contra a música. Você a ouve como música de compras de Natal; todo comercial usa a "Fada Açucarada"; é terrível. Ficou apavorante,é entorpecente, um sedativo. Mas não é. É uma música linda,

Do que você gosta no conto de Hoffmann?

Para mim, é a história de alguém que sai pelo mundo para encontrar a noz que cura a sua feiura. É uma história real.

O sr. descobriu alguma novidade na música ao longo dos anos?

Há tantas ideias, ritmos e claves diferentes...

Pode falar um pouco sobre a Valsa das Flores?

Eu criei o material da valsa com base na vegetação, nas flores, e no canal National Geographic, que nem existia. É uma valsa predatória, delicada e meio barroca. E é um corpinho de vestido e também é uma fruta apodrecida, e eu adoro isso. E não diz respeito apenas a mulheres, porque as flores não são assim.

Há muito humor na montagem. Estava tentando subverter alguns elementos clássicos?

Mas o meu balé é inteiramente clássico. É mais clássico estruturalmente e composicionalmente que uma porção de balés clássicos. Eu adoro tanto um bom Quebra-Nozes que não criei melhor que o de ninguém. Não é uma paródia. É uma versão perfeitamente legítima com danças virtuosas, e, claro, tem coisas engraçadas, e coisas assustadoras, e coisas sexy - e é triste.

Por que acha que O Quebra-Nozes é um sucesso americano?

Acho que isso é uma indústria, de modo que se você puder pagar as contas pelo resto do ano com algumas semanas de O Quebra-Nozes, parabéns. Se essa é a única coisa que atrai os consumidores, então você precisa reconsiderar tudo que faz o resto do ano. Nosso Quebra-Nozes não paga pelo resto do ano. É produção cara. Usamos um coro infantil em vez de sintetizador. Podia-se usar bailarinos robôs e economizar dinheiro...

/ TRADUÇÃO DE CELSO M. PACIORNIK

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