Nomes importantes ficam de fora no <i>Houaiss da MPB</i>

Entre outras injustiças cometidas no Houaiss da MPB, Wilson Simonal tem só duas linhas a mais do que o filho Max de Castro. O verbete dedicado a Itamara Koorax é superior a duas vezes ao de Itamar Assumpção. Idem para Lulu Santos em relação a Paulo César Pinheiro. O dicionário não tem data de morte de Moacir Santos (6/8/2006) porque foi fechado antes, mas para constar o nascimento de Vitor Ramil - que tem o sobrenome erroneamente grafado com dois eles e nasceu em Pelotas, não em Porto Alegre -, bastava recorrer à internet. Falta também a procedência de vários artistas e grupos como (o gaúcho) Arthur de Faria, Solari Jazz e outros nomes obscuros como a banda A Van do Brasil. O produtor Fernando Faro, criador do histórico programa de tevê Ensaio, ex-diretor do MIS e notório catalisador de talentos como Elis Regina desde os anos 60, é solenemente ignorado. Em compensação o leitor vai enriquecer sua experiência musical ao saber que do único CD da dupla Rui Carlos e Renan (??) destacam-se Quem te Fez Pouco e O Amor e Eu. Como pudemos sobreviver sem saber disso - e só isso - sobre esse fenômeno antes? Há outros verbetes inúteis de três ou quatro linhas sobre nomes como Rodrigo Rozado, Ruan e Rob, e um tal Ciço do Pará, que "lançou mais de 12 discos e teve aprox. 16 músicas gravadas por diferentes intérpretes". Isso mesmo, bem preciso. Como dizia Cioran, "pra que qualquer coisa em vez de nada?" Albin diz que como critério geral, que passou aos lexicólogos, dividiu os contemplados no dicionário em três modalidades: os muito importantes, os médios e os de importância menor. Então significa que Xuxa (!!!), com verbete de 17 linhas, representa melhor a música brasileira do que Rosa Passos (13 linhas); que o Espaço Cultural Toca do Vinicius, misto de livraria, loja de discos e ponto de encontro em Ipanema, é mais relevante do que o MIS ou o Instituto Moreira Salles. Muito estranho... A ausência de Paulo Tatit e Sandra Peres, a dupla criadora da Palavra Cantada, que há mais de uma década vem produzindo a melhor música para crianças feita no País, é dos casos mais gritantes. O pesquisador Jairo Severiano, "apenas" uma das maiores autoridades em música brasileira, nem é citado. O mesmo destino teve o compositor Antonio Pinto, autor de várias e conhecidas trilhas sonoras do cinema brasileiro, entre elas a de Central do Brasil. Entre outros, também ficaram de fora a cantora e compositora Alzira Espíndola; os produtores João Marcello Bôscoli e Kassin; os compositores e cantores Skowa, Nuno Mindelis; os grupos Barbatuques, Luni, Paranga e até Mamonas Assassinas. O mangue beat, como movimento, e o samba-reggae, como gênero, passam em branco no dicionário. Há dois verbetes dedicados a Benjamin Taubkin e nenhum a Myriam Taubkin. Ela que é responsável por projetos significativos, como os livros, CDs e DVDs em que mapeia a função de instrumentos como o violão e a sanfona na história da música no Brasil. Se tem Céu, Mombojó e DJ Dolores, por que não Pitty, Junio Barreto e Ramiro Musotto? Se tem o M.A.U. (Movimento Artistas Unidos) por que não o Lira Paulistana? Se tem Tati Quebra-Barraco, por que não o DJ Marlboro, que é a figura de maior projeção do mundo funk carioca? E a dupla Thaíde e DJ Hum, pioneira do hip-hop em São Paulo? São sugestões para a próxima edição. Com tantas opções disponíveis de graça na internet - incluindo os bons sites de consulta discosdobrasil.com.br, samba-choro.com.br, a Wikipédia, em que qualquer um pode adicionar informações quentes e precisas -, uma edição como esta fica muito a dever. É pena que o cliquemusic.com.br esteja fora do ar, mas o site do pesquisador, dicionariompb.com.br, se predispõe a ser atualizado permanentemente e, como os demais, não impõe limite de acesso.

Agencia Estado,

24 Novembro 2006 | 12h46

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