Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Noite começa com bons shows na 14ª Virada Cultural

Trio Tarado Ni Você, com Caetano, começou com empurra-empurra, mas clima seguia tranquilo pelo outros palcos neste sábado

Guilherme Sobota e Julio Maria, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2018 | 22h45

A primeira noite da 14ª Virada Cultural começou com misto de confusão e calmaria na noite deste sábado, 19. Na Rua Sergipe, o cortejo 'Agora é que São Elas' abriu as atividades e aqueceu o público que aguardava o trio Tarado Ni Você com o próprio Caetano Veloso. Pouco antes do cantor assumir o trio, porém, houve empurra-empurra e confusão na Consolação. Um dos motivos da confusão foi as grades que no dia a dia servem para impedir pedestres de atravessar a avenida.

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Era bem tranquilo o começo da Virada na esfera que ruas que circundam a Praça da República. O palco principal Queer tinha o rapper Rico Dalassam ainda cantando para uma plateia tranquila, que parecia estar mais ali para começar a noite. Rico falou da importância de sua música Aceite-se em sua carreira e sobre a quebra de muros que o preconceito levanta. 

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Na Rua Sete de Abril, um dos palcos Rock tinha a Ego Kill Talent fazendo um show muito competente para uma plateia espremida no corredor estreito da Sete de Abril. Um som consistente de uma banda jovem que merecia um espaço maior.

Chamava a atenção, na República, uma equipe de policiais cinegrafistas acompanhando o policiamento de um grupo de PMs. Eles filmavam com câmeras profissionais e celulares mirados para a plateia, mesmo em momentos de tranquilidade.

A Biblioteca Mario de Andrade, com uma programação de teatro e exposição de fotos, valia como um refúgio a viradeiros em busca de descanso. Muitos usavam banheiros e poltronas para descansar no local.

Volta às origens. O secretário de Cultura André Sturm diz que trabalhou duro com sua equipe, desde outubro de 2017, para que 2018 tivesse “a virada da Virada”. Ele se desculpa pelo trocadilho, mas a intenção era essa mesmo, recuperar a credibilidade de um ano em que a maior festa do calendário municipal, o evento que passou a atrair turistas até de outros países, experimentou um esvaziamento e alguns fracassos estratégicos. Menos espraiada por bolsões que definitivamente não deram certo, como o Autódromo de Interlagos e o Anhembi, considerados fracassos de público pelas próprias autoridades, a Virada Cultural deste ano, que será realizada entre as 18h deste sábado, 19, e as 18h de domingo, 20, já aparenta estar com uma programação mais robusta.

Os cortejos, retificados pelo sucesso no carnaval de São Paulo, serão atrativos das massas mais compactas. No domingo, a Viraada terá Olodum e Carlinhos Brown às 11h; e É O Tchan com Sheila Mello saindo às 16h. A sequência desse corredor carnavalesco será a ação mais musical populista em uma virada em muitos anos. Geralmente com programação mais sóbria, o evento deste ano privilegia atrações de cachês menores.

No palco da Rua Barão de Itapetininga com Avenida Ipiranga, o susto com a concentração de público pode ser tomado à 1h da manhã de domingo, com o pernambucano Otto, depois de um show bem dançante do Baile do Mestre Cupijó convida Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro. O horário do rush, a partir da meia-noite de sábado, pode começar com o show que Elza Soares vai fazer na Praça da República. Mais peso pesado sobe ao palco chamado História do Rock, em frente ao Edifício Copan, da Avenida Ipiranga. Os Paralamas do Sucesso tocam às 16h30 de domingo. No Vale do Anhangabaú, mais multidões estarão diante de um palco que vai ganhar dois nomes: no sábado, se chamará Chacrinha, com Rita Cadillac, Léo Jaime, Ritchie e Ultraje a Rigor. A partir das 12h de domingo, ele passa a ser o Parque da Alegria, com Rouge, Sidney Magal e Balão Mágico. Os anos 90 também ganharam um espaço no Largo do Arouche, com Lady Lu, Beto Barbosa, Deborah Blando, Fat Family, Double You, Fernanda Abreu e Gabriel O Pensador.

Há mais espaços temáticos para todos os gêneros, ou quase. O samba (com o Fundo de Quintal às 15h de domingo na São João com Ipiranga), a música instrumental (com João Donato às 16 de domingo na Conselheiro Crispiniano com Sete de Abril) e mais o reggae (Largo São Francisco), o rap (dois palcos, na Estação São Bento do Metrô) e a música eletrônica (com espaços para DJs espalhados pela programação).

Faz falta o choro, que não só perdeu a verba que havia recebido na gestão de Fernando Haddad para tocar o Clube do Choro com atrações aos sábado no Teatro Arthur Azevedo, na Mooca, como também é completamente ignorado de uma Virada Cultural.

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