Steve C. Mitchell/Efe
Steve C. Mitchell/Efe

Noel em boa fase pós-Oasis

Herói do britpop fala do disco de seu irmão e de sua carreira solo

Roberto Nascimento, O Estado de S. Paulo

05 de abril de 2012 | 22h47

As opções para os fãs do Oasis tem sido amargas desde que a banda encerrou o expediente, em 2009. Hoje em dia, estes ou compram ingressos para ouvir Wonderwall cantada com competência, mas sem aquele saudoso vocal blasé, ou compram ingressos para não ouvir Wonderwall, e em troca ficam com o saudoso vocal blasé e um show insosso, com imitações infelizes de faixas do Oasis. Eis o estado atual da rixa entre os irmãos Gallagher, em que cada um com sua banda capitaliza sobre o eleitorado dos velhos tempos. Ambos lançaram discos no ano passado (Liam com o Beady Eye, e Noel com o High Flying Birds), e ambos agradaram aos fãs (embora suspeite-se que o verdadeiro vazio deixado pelo fim da banda nada tenha a ver com a ausência dos shows, e sim com as demonstrações de carinho fraterno dos tempos em que Noel atacava Liam com um taco de cricket, e Liam revidava com uma guitarra).

 

Mesmo assim, Noel tem se dado melhor. Seu ego parece estar em paz, tranquilamente massageado pelos fãs e pela mídia que o apadrinhou nos anos 90. O disco Noel Gallagher and the High Flying Birds estreou em primeiro nas paradas britânicas. Foi elogiado por alguns, declarado mediano por outros, mas nada que diminuísse sua projeção endeusada entre os fãs de britpop. Além disso, também recebeu um bajulador prêmio da revista NME, que o declarou "gênio divino".

 

"Acho que me sinto mais livre para compor", conta o próprio compositor por trás dos grandes hits do Oasis ao Estado sobre sua criatividade depois que deixou a banda. "É fácil fazer canções. É um hobby para mim. Não penso muito nisso, e tampouco me preocupo com o que os outros pensam", explica.

 

Noel atendeu o Estado de Milwaukee, onde completava uma perna da turnê que chega ao País em maio, para shows em São Paulo e no Rio. Ao contrário do que se espera de uma estrela que por anos fomentou uma rixa interna em sua banda, com o intuito de chamar a atenção da mídia, o músico está cordial e amigável. Quando a entrevista chega no assunto Liam, a resposta é automática: "Adorei o disco dele. Apesar do que pode parecer, não estou competindo com ninguém. Se os fãs querem tomar partido, que o façam. Eu estou pouco me lixando para o que os fãs do Beady Eye, ou para o que os meus fãs acham", disse.

 

A segurança de Noel vem do fato de que, nessa briga, ele é o Simon, e Liam é o Garfunkel. Por ter sido a fonte dos hits do Oasis, o homem que George Martin chamou de o maior compositor de sua geração, a qualidade de suas novas canções é obviamente superior às do Beady Eye, embora juntas formem um disco sem muito brilho. A impressão que fica é que Noel ainda escreve música para uma banda que lota estádios. "Fiquei 20 anos no Oasis, e a ideia era sempre compor melodias que funcionassem em lugares grandes", explicou. "Mas é difícil falar sobre o processo de composição. Eu não sei nada sobre isso. Por que você não pergunta ao Paul McCartney?", disse, bem-humorado.

 

O show de Noel em São Paulo será no Espaço das Américas, uma casa menor do que os estádios com que foi acostumado, e alvo de reclamações quando Morrissey, outro ídolo britânico, fez show por aqui no mês passado. O som abafado do lugar foi motivo das críticas. Mesmo assim, ingressos para a área VIP já estão esgotados.

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