Nobel de Literatura pede julgamento de Bush e Blair

O Prêmio Nobel de Literatura Harold Pinter afirmou que o presidente dos EUA, George W. Bush, e o premier britânico, Tony Blair, deveriam ser julgados pela invasão do Iraque, "um ato flagrante de terrorismo de Estado". Num discurso gravado apresentado hoje na Academia Sueca em Estocolmo, Pinter disse que Bush e Blair deveriam ser levados ao Tribunal Penal Internacional de Justiça. "A invasão do Iraque foi um ato de bandidagem, um ato flagrante de terrorismo de Estado, demonstrando absoluto desdém ao conceito de lei internacional", acrescentou Pinter, conhecido por suas duras críticas à política externa dos EUA. Pinter, enfrentando um câncer há alguns anos, deveria fazer pessoalmente o tradicional discurso do Nobel, mas foi forçado a cancelar a viagem a Estocolmo por razões de saúde. Seu editor, Stephen Page, irá aceitar o prestigioso prêmio em nome de Pinter na cerimônia de sábado. Em seu discurso, em que falou mais de política do que de literatura, Pinter atacou impiedosamente Bush e Blair, dizendo que eles eram responsáveis por dezenas de milhares de mortes no Iraque. "Quantas pessoas você tem de matar para ser classificado de assassino em massa e criminoso de guerra? Cem mil?" questionou, com voz rouca. "Levamos tortura, bombas de fragmentação, urânio empobrecido, inumeráveis atos de assassinato à revelia, miséria, degradação e morte para o povo iraquiano e chamamos isso de ´levar liberdade e democracia para o Oriente Médio´", avaliou Pinter. Ele acusou os EUA de apoiarem "todas as ditaduras militares direitistas do mundo" depois da 2.ª Guerra Mundial. "Os crimes dos Estados Unidos têm sido sistemáticos, constantes, odiosos, desumanos, mas bem poucas pessoas têm realmente falado sobre eles", considerou. "Eles têm exercitado uma cínica manipulação do poder no mundo, se mascarando de força lutando pelo bem mundial. Trata-se de um brilhante, diria engenhoso, e altamente bem sucedido ato de hipnose". Pinter, de 75 anos, parecia fragilizado quando falou para a mídia depois de ser agraciado com o Prêmio Nobel em outubro. Dias depois, ele foi laureado com o prêmio literário Franz Kafka, da República Checa, mas não pôde recebê-lo pessoalmente. Em 2002, o dramaturgo inglês Printer revelou que estava sendo tratado de um câncer na garganta.

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