Nobel de Literatura foi pioneiro

O nervosismo domina o mundo literário até a definição do ganhador do Prêmio Nobel de Literatura que ocorre no mês de outubro há cem anos. Mas a efeméride não vai mudar nada disse o secretário da Academia Sueca Horace Engdahl. Mas, na verdade, pode-se dizer que nesses cem anos de história a normalidade não vigora.Nomes como León Tolstoi, James Joyce, Virginia Woolf, Marcel Proust, Henrik Ibsen, Jorge Luis Borges e inclusive o sueco August Strindberg que não receberam o Nobel são sempre lembrados, enquanto o da italiana Grazzia Deledda, premiada em 1927, é solenemente esquecido."A Academia reflete o gosto de seu tempo", diz Engdahl e assim explica os prêmios concedidos a autores considerados superficiais, como a norte-americana Pearl S. Buck (1938) ou o britânico John Galsworthy (1932). Conjugar o gosto da época com uma decisão de justo valor literário é um trabalho muito duro para os cinco membros do comitê do Nobel, que devem escolher entre 200 candidatos a cada ano.Todos os membros devem ter lido a obra completa dos cinco finalistas, explica Engdahl. Ele conta que através da Biblioteca Nobel ele recebeu 60 quilos de livros durante as férias de verão de 1998, seu primeiro ano como membro do comitê. "Não posso ter crises de leitura", disse o secretário.Ele diz que o Nobel não é para principiantes e que é preciso que o nome do escritor aparece várias vezes na lista para chegar a ser escolhido. Diz ainda que para a Academia, a definição de literatura é muito ampla. "Bob Dylan pode ser candidato, porque as letras de suas canções foram publicadas. O mesmo vale para ensaístas, dramaturgos e críticos literários", explica.A experiência das últimas décadas contradiz o acadêmico. O prêmio concedido ao dramaturgo Dario Fo, em 1996, foi inesperado, pois desde o Nobel dado ao primeiro-ministro Winston Churchill, em 1953, haviam sido premiados apenas romancistas e poetas. Muitas vezes a leitura do nome pelo secretário. Além disso, a história da premiação é marcada por alguns escândalos, como a recusa ao prêmio de 1958 pelo escritor Boris Pasternak, pressionado pelo governo soviético, ou a decisão voluntária de não aceitá-lo que partiu do filósofo francês Jean-Paul Sartre, em 1964, o único a tomar essa atitude nesses cem anos, por considerar que todo prêmio gera dependência". Mas isso não impediu Sartre de perguntar discretamente à Academia, 11 anos depois, se seria possível que ele recebesse os R$ 70 mil referentes ao seu prêmio.Este ano, o prêmio é de R$ 2,5 milhões. Mas - pergunta Engdahl - o que é isso ao lado da honra que significa o prêmio?

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