Nobel 2000: Fuentes e Llosa puxam torcida latina

No ano passado, o alemão Günther Grass. Em 1998, o português José Saramago. Em 1997, o italiano Dario Fo. Em 1996, o polonês Wislawa Szymborska. Em 1995, o irlandês Seamus Heaney. Desde 1994, quando o mais importante prêmio literário do planeta foi entregue ao japonês Kenzaburo Oe (que, segundo a Academia Sueca, "com força poética criou um mundo imaginário, onde vida e mito se condensam para formar uma desconcertante imagem da condição humana atual"), o Nobel está nas mãos de países europeus.Coincidentemente (ou não), esse período começou após cinco anos em que nenhum europeu foi premiado. A dúvida agora é se a Academia Sueca vai voltar a dar um caráter mundial para o prêmio ou se fortalecerá seus laços com o continente - que ainda está definindo as fronteiras de sua União Européia.O Nobel de literatura é normalmente anunciado numa quinta-feira do mês de outubro (mas, em 1999, graças à unanimidade em torno do autor de O Tambor, foi tornado publico no dia 30 de setembro). Agora, deve sair no dia 12.Embora não tenha data fixa, o dia se encaixa com perfeição na agenda, que prevê a divulgação do vencedor do Nobel de medicina para segunda-feira, o de física e química para terça o de economia para quarta e o da paz para sexta.Por enquanto, Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, não parece ter intercedido e os nomes que circulam não apontam para o País. O mais próximo que chega é do mexicano Carlos Fuentes (Os Anos com Laura Díaz) e do peruano Mário Vargas Llosa, autor de Pantaleão e as Visitadoras e A Festa do Bode, um candidato recorrente a quase US$ 1 milhão distribuídos por ano a escritores pelos suecos.China e Índia - Segundo o editor sueco Jonas Ellerstroem a disputa pode estar entre o poeta chinês Beï Dao (que tem cinco livros disponíveis no site www.livcultura.com.br, em inglês) e o novelista indiano Raja Rao (um de seus livros, Kanthapura, também pode ser encontrado na livraria).Entre os europeus, um nome circula com mais freqüência, o do belga Hugo Klaus. Há também o holandês Cees Nooteboom e o francês Maurice Blanchot. E aqueles que estão sempre no páreo: Philip Roth (que concluiu a trilogia Pastoral American) e Norman Mailer (de O Evangelho Segundo o Filho), dos EUA, V.S Naipaul, de Trinidad e Tobago (O Enigma da Chegada), Amós Oz (Fima), de Israel.A lista poderia continuar, para evitar surpresas, mas não garantiria nada, porque muito provavelmente não se chegou a um nome ainda.O "atraso" no anúncio, pelo menos em relação ao ano passado, é um indicativo de que pode estar havendo um empate entre os votantes. E, como há muito tempo o Nobel é um prêmio com a tradição de combinar escolha política com escolha literária - nem sempre numa combinação feliz -, é difícil avaliar quais são as intenções que envolverão a decisão deste ano.Em dias de tumulto na Iugoslávia, é possível lembrar do escritor albanês Ismail Kadaré (A Ponte dos Três Arcos), autor de uma série de livros sobre a região e, especialmente, sobre o Kosovo.Na África, uma opção dessa linha seria a escolha de J.M. Coetzee (Terra de Sombras), sul-africano duas vezes vencedor do Booker Prize (para autores de língua inglesa). Para ele, no entanto, há uma dificuldade: o fato de a Academia Sueca já ter premiado uma conterrânea, a escritora Nadine Gordimer (A Arma da Casa).Ainda pensando politicamente, há o nome do inglês de origem indiana Salman Rushdie, autor dos Versos Satânicos, perseguido pelo regime iraniano por anos.

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