No vídeo, duela com Lilia Cabral

Desde o surgimento do folhetim no século 19, e mais ainda, desde que a ficção é ficção, que a oposição entre aparência e caráter, a humildade e a ostentação alimentam todo tipo de trama. Nas telenovelas, esse gênero de conflito é quase obrigatório, talvez por ser tão atemporal e, ao que parece cada vez mais, uma questão dos nossos dias.

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2011 | 00h00

E é justamente a certeza de que a distância entre o que somos no ambiente público do que praticamos no ambiente privado pode ser posta à prova por surpreender qualquer um que leva o autor Aguinaldo Silva dizer que sua nova Fina Estampa é uma novela que vai se desenvolver entre quatro paredes, quem sabe numa espécie de voyeurismo sociológico.

Criador de cidades fictícias memoráveis, como a Asa Branca de Roque Santeiro (1985) e a Greenville de A Indomada (1997), Aguinaldo escolheu ambientar a história em um bairro real, a Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Ex-reduto dos emergentes cariocas e atual canteiro de obras da cidade moderna que promete surgir com a Olimpíada de 2016, o bairro aparece verdadeiro em cena, com suas ruas mais conhecidas, condomínios de luxo e periferia. Não por acaso, é lá que mora o autor.

No centro da trama estão duas grandes mulheres, Griselda e Tereza Cristina, interpretadas por duas grandes atrizes, Lilia Cabral e Christiane Torloni. A primeira é apegada demais às aparências e a segunda, desleixada demais na frente do espelho. Viúva, Griselda trabalha como "faz-tudo" na região, e sofre preconceito do próprio filho, que aliás está noivo da filha de Tereza Cristina. É claro que, já nas primeiras cenas, é inevitável pensar que a primeira é péssima pessoa e que a segunda tem um sólido caráter. Mas Aguinaldo tem preparada a reviravolta que vai pôr as duas personagens lado a lado na sociedade. Até que ponto o dinheiro pode mudar a essência de uma pessoa? - se os 200 e tantos capítulos que vem por aí pudessem ser resumidos numa pergunta, seria essa.

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