No tapete vermelho, a lição de que menos é mais

Todo ano a mesma dúvida: ousar ou apostar no seguro? Lançar ou confirmar as tendências? Não é fácil a vida das estrelas que têm de se esforçar para não passarem despercebidas e, ao mesmo tempo, não aparecerem mais que o lendário "vestido cisne" de Björk.

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

01 de março de 2011 | 00h00

Ainda que tenha havido boas surpresas, como o "self made" Marchesa da jovem Hailee Steinfeld, e o gráfico Calvin Klein Collection de Gwyneth Paltrow, quem deu o tom ao figurino da noite do 83.° Oscar foi a máxima "menos é mais" na hora de desfilar no tapetão. "menor criatividade é mais segurança". Justiça seja feita. O troféu ousadia para vai Cate Blanchett e seu Givenchy alta-costura. Inusitada, com um longo rosa claro de chifon cravejado em pérolas. Detalhe "ousado": decote circular sobre tecido plissado no colo. Que a australiana se destacou em meio ao mar de "nude tendência", "vermelhão clássico" e "pretos não tão básicos", isso é verdade.

Mas às vezes mais é menos. Quem optou pelo menos é mais. E acertou em cheio a sempre doce Michelle Williams. De Chanel clássico e discreto, corte reto, mangas curtas em branco bordado, estava o máximo da elegância.

Por falar em branco, e em discrição, os tons nude (leia-se branco, off-white, tons leves de rosa, champanhe, etc.) ganharam de vez o tapete vermelho e provaram que fazem frente aos "tons de festa" vinho (Scarlett Johansson e Natalie Portman), preto (Helena Boham Carter), "vermelhão" (Sandra Bullock e Anne Hathaway).

Na linha nude, o troféu "eu mesma fiz" vai para a jovem Hailee Steinfeld que, aos 14 anos, não só recebeu uma indicação para melhor atriz coadjuvante por Bravura Indômita, como desenhou seu próprio vestido, da grife Marchesa. "É o vestido dos meus sonhos", disse a garota ao desfilar no tapete vermelho. E vai ser o de muitas futuras debutantes fashion este ano. Com o hit "colo em segunda pele" cravejado que ganha "corpo", o vestido se abria em uma saia em A e dava a Haille um ar de garota anos 50 perfeito para a sua idade. Quem também apostou no tom claro e no Marchesa foi Halle Berry. De tomara que caia com brilho e cauda volumosa, ela só errou ao pesar a mão no tule da saia.

Quem errou feio foi Nicole Kidman. De Dior Couture branco bordado, a magérrima conseguiu ganhar volume nos quadris e parecer um origami de luxo. Geometria também deu o tom ao vermelhão de Sandra Bullock, que acertou em um tomara-que caia Vera Wang vermelho com decote geométrico. Antes de outro vermelho, o troféu "geométrica chic" da noite vai para Gwyneth Paltrow, que ousou um futurismo gráfico com seu prata Calvin Klein Collection. Silhueta sequinha e decote geométrico.

De volta ao vermelho, quem chegou com um infalível Valentino (vermelho, claro) foi Anne Hathaway, em um tomara que caia com um quê a mais de franzido e flores na cauda.

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