No Rio, garotada aplaude o melhor do teatro internacional

Até domingo, o Rio é sede do 4.º Intercâmbio de Linguagens para Crianças, festival infanto-juvenil que começou na semana passada. São 15 espetáculos vindos da França (a maioria), Canadá, Peru e Portugal, que têm em comum a pesquisa de novas formas de atingir o público a partir dos 3 anos. "Este ano, crescemos geograficamente, indo para quatro salas, e ampliamos a faixa etária de nosso público", adianta a criadora do evento, Karen Acioly, também diretora do Centro de Referência do Teatro Infantil do Rio de Janeiro. "Quem nos assistia quatro anos atrás deixou a primeira infância ou virou adolescente. Criou um hábito que não queremos frustrar."A marca é a diversidade. Há de solos a grandes grupos, com os modos mais inusitados de atingir o público. O francês Damien Bouvet usou o corpo para encenar Le Petit Cirque et le Petit Toros. Do Canadá veio a companhia La Pire Especie (A pior espécie, na tradução literal) com uma versão de Ubu Rei, de Alfred Jarry, em que objetos de cozinha são os personagens. O grupo Cuentos Pequeños, do Peru, faz teatro de bonecos, mas estes são criados em partes do corpo dos atores. E há ainda o trovador Mário Pirata, com poesia e música para crianças na primeira infância."Ele é o único brasileiro presente nesta parte do Intercâmbio, porque era importante sua participação nas mesas-redondas sobre a criação ao redor do mundo", explica Karen, adiantando que, em outubro, é a vez de os brasileiros mostrarem suas novidades. "Há muita gente trabalhando nisso, não consigo eleger um como o melhor, todos são excelentes."Ela os enumera entusiasmada. "Há música cênica para jovens, com Batucantá (ritmos brasileiros só com percussão), o Binário Experiência de Cena Estética (imagens projetadas sobre os músicos) e o Dá no Coro (música negra de vários países)", diz. Entre os estrangeiros, cita ainda a versão de Nosferatu para crianças do Bob Théâtre francês, O Medo Azul (versão portuguesa do conto O Barba Azul, de Charles Perrault), e o músico Jean Luc Ronget, que usa só as mãos, sucesso no ano passado que volta a pedido do público. "Este é sempre ávido, mas nem sempre conseguimos trazer todos os grupos que se interessam por causa dos custos."Este ano ela conseguiu R$ 130 mil da Telemar (pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura) e R$ 250 mil da Petrobrás (pela Rouanet) cifra muito aquém do R$ 1,2 milhão do orçamento inicial.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.