No Rio, a frustração na porta dos museus

Visitantes continuam chegando, apesar de a greve ter começado há dois meses

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2007 | 05h06

Apesar dos dois meses de greve, os visitantes continuam batendo nas portas das principais instituições federais da cultura no Rio - o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), a Biblioteca Nacional e o Museu Histórico Nacional, as três no centro da cidade. ''''Eu vim tentar. Queria muito rever algumas obras'''', contou Maria Benvinda Bentim, de 43 anos, fotógrafa carioca, que deu meia-volta do MNBA na tarde de terça-feira. Durante a paralisação, ela já esteve outras vezes no museu, apaixonada que é pelo grande acervo de arte do século 19, o mais importante do Brasil. ''''A cultura no Brasil está em terceiro, quarto plano e o cidadão acaba sendo o maior prejudicado. Depois o presidente Lula reclama porque é vaiado'''', criticou Maria, mostrando-se solidária à causa dos grevistas.Na porta do MNBA, fechada por uma corrente, foi colocado um mural com recortes de jornais e explicações sobre o movimento, escritas em inglês e em espanhol. ''''Vem muito turista aqui, inclusive o pessoal que veio ver o Pan. Eles ficam muito frustrados quando dizemos que não vão poder entrar. Mas acabam entendendo, até mais do que os brasileiros'''', disse Cirlei Vianna, que trabalha há 25 anos na instituição. Todos os dias, meia dúzia de servidores se mantém ali.Na entrada da Biblioteca Nacional - a maior da América Latina e a oitava no ranking mundial -, a poucos metros do museu, uma faixa em inglês também manda visitantes, pesquisadores e estudantes de volta para casa. Cruzes pretas foram espalhadas no alto da escadaria, marcando o descontentamento dos funcionários com a atitude do governo.Diariamente, servidores do Museu Histórico Nacional, onde foi estendida uma faixa negra, em sinal de luto, se concentram junto ao portão principal. ''''Para a gente, dia de greve é dia de trabalho. Ninguém aqui está em férias'''', justificou João Luiz Pirassununga, assistente técnico.De acordo com ele, não há um dia em que não apareça gente desinformada sobre a greve que queira visitar o MHN - cujas salas, em tempos normais, recebem cerca de 250 pessoas todos os dias (são 60 mil anuais, o que é considerado pouco, em se tratando da principal coleção de numismática da América Latina).A quem chega, Pirassununga e os colegas indicam o Museu de Arte Moderna, o Centro Cultural Banco do Brasil, próximos ao MHN e abertos, e entregam o panfleto que esclarece por que eles cruzaram os braços. ''''Os calendários do Pan já estavam impressos quando paramos, por isso as pessoas continuam vindo.''''Por acreditar que o movimento não está sendo muito divulgado, os grevistas decidiram fazer uma passeata ontem em plena Praia de Copacabana, mobilizada em torno de competições do Pan-Americano.

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