JB Neto/AE
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No reinado de Lolla

2 dias de festival, 135 mil pessoas, Dave Grohl e Gogol Bordello insanos e 2013 confirmado

JOTABÊ MEDEIROS , ROBERTO NASCIMENTO, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2012 | 03h07

Mesclando notáveis shows de invenção (TV on the Radio) e diversão (Foster the People), de radicalidade política (Racionais e Gogol Bordello) e descompromisso garageiro (Cage the Elephant, Band of Horses), o Lollapalooza Festival foi aprovado com louvor em seu batismo brasileiro. "Lollapalooza São Paulo foi um arraso!", entusiasmou-se o guitarrista Dave Navarro, do grupo Jane's Addiction. "O Lollapalooza em Chicago é legal, mas eu prefiro aqui", afirmou Eugene Hutz, vocalista do Gogol Bordello.

Não foi tanto pelo sucesso comercial (135 mil pessoas no Jockey Club, cerca de 15 milhões vendo pela televisão) que o Lolla emplacou. Foi uma combinação de fatores: uma locação de fácil acesso e com um visual privilegiado, a facilidade para a circulação de público, a civilidade no trato com gente com necessidades especiais, crianças e serviços, entre outros acertos.

Claro, houve (como sempre) filas homéricas para compras de lanches, água e cervejas, mas havia banheiros em quantidade suficiente, e o Jockey Club só peca um pouco pela falta de espaços sombreados, as benditas árvores. Medidas simples, como molhar a pista de corrida de cavalos para diminuir a poeira, foram tomadas pela direção do Jockey. A produção passou a noite de domingo para segunda-feira na desmontagem do festival, também facilitada pela localização.

O palco Kidzapalooza, concebido para atrair os filhos dos pais roqueiros, ficou melancolicamente às moscas durante o festival. Shows sem plateia, ou com plateia composta apenas por funcionários do festival, foram a tônica. Ali do lado, o Conservatório Souza Lima sorteava bolsas de estudo para musicalização, também sem muito sucesso.

Até ontem, o festival não tinha ainda um balanço de números, como o esforço de reciclagem de todo o lixo produzido pela mostra - além de uma estratégia de minimização de emissões atmosféricas. A publicidade não foi ostensiva, mas os comerciais exibidos repetidas vezes no telão causavam desconforto - o chiclete anunciado pela voz de Marcelo Tas, em dado momento, já estava até sendo vaiado.

Houve ainda problemas de falsificação de ingressos, algo que não é de responsabilidade da organização. Mas que pode ser prevenido, com uma campanha de orientação. No sábado, a reportagem do Estado presenciou a prisão de dois homens que vendiam ingressos idênticos aos originais. Um deles tinha vendido oito entradas falsas.

Leonardo Ganem, da Geo Eventos, partner de Perry Farrell (o criador e organizador do festival), confirmou com seu parceiro a edição 2013, anteontem. E Farrell já anunciou que vai levar a banda brasileira O Rappa para apresentar-se na edição americana do evento. "Para mim, eles me lembram grupos como o Public Enemy, com uma atitude que tem tudo a ver com o Lollapalooza", afirmou Farrell, em entrevista ao canal Multishow.

"Eu me deparei com a palavra Lollapalooza, que significa: 1) algo ou alguém excepcional; 2) um pirulito gigante em espiral", dizia Perry Farrell, no vídeo exibido exaustivamente na abertura dos shows. Tudo bem, mas faltou algum veterano excepcional, mais encorpado, no programa. Joan Jett foi bacaninha, mas e que tal se fosse um Black Sabbath? Delírio? Pois bem, parece que a lendária banda foi confirmada para o Lollapalooza Chicago, em agosto.

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