No rastro de Erasmo

Bruno Morais recria ao vivo o álbum Sonhos e Memórias

EMANUEL BONFIM, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2012 | 03h08

O canto manso, a simplicidade nos arranjos e o discurso imagético são atributos facilmente reconhecíveis em Bruno Morais e Erasmo Carlos - em especial, o Tremendão dos anos 70, em sua fase hippie, pós-jovem guarda. É justamente ela, representada pelo seminal Sonhos e Memórias 1941-1972, que será retomada pelo cantor paranaense na noite de hoje, 12, no palco do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso.

Acompanhado de parte da banda Bixiga 70, Bruno vai mostrar sua leitura percussiva ao cultuado disco do roqueiro tijucano, para muitos, o melhor de sua carreira. O show marca a estreia do projeto Radiola Urbana 1972, que convida novos artistas a refazerem LPs memoráveis lançados há 40 anos.Até outubro, serão mais quatro apresentações, incluindo a recriação de Transa, de Caetano Veloso, por Rômulo Fróes; e a versão do clássico soul Superfly, de Curtis Mayfield, por Rodrigo Campos.

Muito antes de pensar em regravar Erasmo, Bruno já era "atormentado" pelo samba-pop-folk de Sonhos e Memórias, vinil recorrente na casa de sua mãe e de sua tia. Anos depois, já adulto em São Paulo, voltaria a ser arrebatado por aquele som abstrato, ingênuo e envolvente. "Um belo dia, um amigo meu estava discotecando numa balada e botou a música O Sorriso Dela para tocar. Eu fui correndo saber de quem era. Aí voltou tudo e comecei a ouvir muito esse disco", conta.

Em dezembro do ano passado, veio o acerto de contas: o jovem cantor gravou a mesma canção para um festejado single. "Numas das vezes que conversei com Erasmo, ele me disse que devia ter feito mais letra para O Sorriso Dela. Eu discordei. O fato de ela ter esta letra curta faz com que transborde essa alma de simplicidade, que possui uma série de signos numa única frase. É como se fosse uma biografia da imaginação dele", define Bruno.

Originalmente editado pela Polygram, o álbum traz Erasmo numa fase de bem com a vida, casado e morando no mato, no Rio. Escolher as lembranças pessoais da infância como tema de boa parte das canções encheu de significado o tempo presente do inspirado compositor. "Foi a fase que eu deixei de ser adolescente, meninão e comecei a ser homem", explica o veterano cantor.

Em 1972, Erasmo tinha 33 anos, a mesma idade que Bruno tem agora. É só mais uma semelhança entre autores de gerações distintas que se aproximam por compactuar de caminhos estéticos parecidos. "Acho muito bonito como ele canta, tranquilo, com um discurso fácil de identificar. Tem a ver comigo e com as minhas principais referências, que são Chet Baker, João Gilberto e Monarco. Eu acho que agora o Erasmo acaba de entrar neste ranking...", elogia Bruno.

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