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No palco, violão entre sambas e amigos

Cacá Machado mostra 'Eslavosamba', com Elza Soares e Arrigo Barnabé

MARINA VAZ, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2013 | 02h08

Estamos diante de um estreante - mas um estreante que está longe de ser inexperiente. O violonista Cacá Machado tem com a música um relacionamento estável, profundo e consistente. Nas últimas duas décadas, usou sua formação de historiador para estudar a canção brasileira e publicar livros sobre Ernesto Nazareth e Tom Jobim. Entre pesquisas de mestrado e doutorado na USP (onde dá aulas atualmente), mostrava seu lado instrumentista compondo trilhas sonoras para teatro, cinema e televisão. Aos 40 anos, Machado apresenta, hoje e amanhã, no Sesc Vila Mariana, o repertório de seu primeiro CD, Eslavosamba (disponível para download em http://cacamachado.net).

Nas canções, o paulistano mescla a tradição do samba com elementos contemporâneos, tentando "desconstruir" o samba. "Não é uma desconstrução no sentido de negação, mas, sim, de buscar uma essência autoral", diz. "Tento sempre sair do conforto. É da minha natureza, gosto do risco, do incômodo, de tentar achar algo um pouco mais original."

Para chegar a esse resultado, ele se cercou de amigos - músicos, cantores e compositores de diferentes estilos e gerações.

O clima 'colaborativo' presente no CD também poderá ser visto no show. Nas duas apresentações, Cacá empresta o microfone a sete convidados especiais, entre eles, Arrigo Barnabé, Elza Soares e Juçara Marçal. A banda que acompanha seu violão é formada por nove músicos, como o veterano Zeca Assumpção (que já tocou com Chico Buarque) e novos talentos, como Rodrigo Campos e Kiko Dinucci.

"Quis trazer uma 'sujeira' para algumas das canções, 'sujeira' que eu mesmo tenho até pouco, pela minha formação mais rigorosa, mais acadêmica", diz Cacá. "O Rodrigo e o Kiko fazem a música da rua, com criatividade e muita originalidade."

No repertório, estão canções de várias fases de sua carreira. Uma das mais antigas é Valsa Lunar, cuja melodia foi composta originalmente para a peça Toda Nudez Será Castigada, em montagem dirigida por Cibele Forjaz, em 2000. Em Eslavosamba, ela ganhou letra assinada por Guilherme Wisnik.

Entre suas músicas mais recentes, está Sim, de 2012, uma parceria com Eduardo Climachauska. Sensual e descompromissada, a canção, com interpretação de Elza Soares, promete ser um dos pontos altos do show. Além disso, Cacá vai incorporar ao show composições de dois sambistas que admira: Paulinho da Viola (com Roendo as Unhas) e Paulo Vanzolini (Volta por Cima). E também mostrará a inédita Dança - "um bolerinho" -, feita com Rômulo Fróes há três semanas. "É importante apontar para frente, para o próximo trabalho, e Dança já é um exemplo disso."

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