No palco, butô e dança xavante

O público poderá conferir nessa sexta, no Sesc Vila Mariana, em uma única apresentação, O Olho do Tamanduá, coreografia de Takao Kusuno que leva ao palco uma linguagem peculiar: uma mistura das técnicas de butô com a cultura indígena, mais especificamente dos índios xavantes.Essa junção deu o que alguns críticos chamam de "butô brasileiro". Rótulos à parte, é um trabalho baseado na natureza. "Esse é um espetáculo de contato corporal, com dançarinos de pernas fortes, fincados no solo", diz Emile Sugai uma das intérpretes.O diretor Takao Kusuno define a peça da seguinte maneira: "Com esse espetáculo buscamos valores essenciais que o homem civilizado perdeu; o corpo como sustentáculo e receptáculo da vida, o homem e sua ligação com a terra e o universo do índio brasileiro - fonte de inspiração, reflexão e aprendizado". E, ainda, explica: "Isso revela um elo possível entre o pensamento butô e os cerimoniais dos índios".Essa miscelânea cultural é observada no elenco: são rostos europeus, negros, índios e asiáticos que se mostram e dividem o mesmo espaço. "Takao Kusuno procurou mostrar a cultura brasileira, destacando um dos pontos mais fortes daqui, a mistura étnica", afirma Emile.Quanto à parte técnica, a coreografia não é linear, é composta por imagens que se transformam no decorrer do espetáculo e possuem, como fio condutor, os mitos e os ritos. O espetáculo é divido em três ciclos, o primeiro, O Grito da Criação, traz o ritual do nascimento. No segundo, Caleidoscópio, fala do rito do tempo e por fim, Círculo da Terra, apresenta a vida na floresta. (K.D.)"O Olho do Tamanduá". Direção de Takao Kusuno. Sexta, às 21 horas. De R$ 7,50 a R$ 15. Teatro do Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, tel. 5080-3147

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