Denis Farrell/AP
Denis Farrell/AP

No palco, a vida de Mandela

Música ocidental com canções tradicionais xhosa e uma boa dose de jazz são a base de uma ópera que estrearia na noite de ontem, em Johannesburgo, sobre o ex-presidente sul-africano e ícone da luta contra o apartheid Nelson Mandela.

Donna Bryson / AP, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2011 | 00h00

O autor e diretor Michael Williams disse antes do ensaio geral, anteontem, que a gama de diversos estilos musicais da Trilogia Mandela é um reflexo da mescla de culturas da África do Sul.

O roteiro da ópera aborda os principais momentos da vida de Mandela, desde sua infância em um vilarejo no sudeste da África do Sul até os distritos de Johannesburgo, onde ele se tornou um líder político, chegando também às prisões, onde ele passou 27 anos de sua vida. A trilogia termina de forma triunfante, com a libertação de Mandela no início da década de 1990 e um discurso emocionante para uma multidão na Cidade do Cabo.

Em relação à música, as cenas passadas ainda nos vilarejos da infância de Mandela permitem aos cantores darem uma amostra com uma espécie de hino da força dos corais da África. Com a história chegando a Johannesburgo, fica evidenciado que o jazz africano extrapolou os limites do apartheid estabelecidos para separar negros e brancos, africanos e europeus. "É visual, é audível e revela todas as emoções que envolviam aquele momento", disse Philisa Sibeko, que canta no papel de Winnie Madikizela-Mandela, a segunda mulher de Mandela, e foi criada em uma casa liderada por sua avó, que conduziu corais africanos.

Os sul-africanos têm feito óperas próprias. Sibeko é a segunda mulher a levar Madikizela-Mandela aos palcos neste ano. Em abril, outro elenco criativo apresentou Winnie, a Ópera no teatro nacional, na capital Pretória. Uma Carmen sul-africana estreou em Nova York em 2004 e uma edição para cinema conquistou um prêmio no Festival de Berlim no ano seguinte. Em 2008, uma versão também sul-africana para A Flauta Mágica foi apresentada em Londres. "Nós temos corais maravilhosos aqui. A ópera é o próximo passo", declarou Sibeko.

Uma orquestra formada por 40 músicos acompanha os cantores na Trilogia Mandela. Na preparação para tornar Mandela em uma figura operística, Williams estudou biografias e mergulhou nos arquivos pessoais da Fundação Nelson Mandela. O cenário, por exemplo, foi montado com reproduções de calendários e fotografias que o ex-presidente tinha na prisão e que agora ficam na instituição destinada a ele.

Algumas letras foram pinçadas de discursos e outros escritos de Mandela. O resultado às vezes pode soar aparentemente forçado, mas as palavras geralmente fluem poeticamente.

Aubrey Lodewyk, que faz o mais velho dos três Mandelas na ópera, disse que as pessoas comuns podem tirar lições importantes da vida do ex-presidente da África do Sul.

A Trilogia Mandela fica em cartaz em Johannesburgo até sexta-feira. Para o próximo ano, estão previstas apresentações no Reino Unido e na Noruega.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.