No palco, a história de Getúlio Vargas

Depois de espetáculos musicados degrande sucesso no Rio, como A Era do Rádio e O Cortiço,Sérgio Britto volta a apostar no gênero que mistura humor, drama canto e dança. Com Osmar Prado, Sérgio Britto e JalusaBarcellos integrando o elenco de oito atores e seis músicos queexecutam ao vivo a trilha do espetáculo, De Getúlio a Getúlio- A História de um Mito estréia no sábado, no Teatro JoãoCaetano, no Rio, antes de seguir em viagem por cidades comoBrasília, Curitiba e Porto Alegre. Osmar Prado vive um ator que vive Getúlio nesseespetáculo meio pirandelliano, uma peça dentro da peça, queexplora a mistura entre ficção e realidade. A vida de Getúlio écontada por meio de uma trupe de teatro, dirigida por Britto,também diretor ´real´ do espetáculo, que ensaia um musical sobrea vida do ex-presidente. O texto foi escrito por Britto emparceria com Clovis Levi. "Fizemos uma pesquisa para criar oespetáculo e descobrimos que são muitas e diferentes as versõessobre a vida de Getúlio. Não existem dois livros que contem amesma história. Daí, resolvemos levar essas contradições para opalco", comenta Britto. As contradições da imagem do político formam a base datrama. Ao interpretar o ditador, o ator Paulo (Prado) começa aconfundir-se com o presidente. E na tal peça dentro da peça, odiretor explora também o "Gegê", como era conhecido o"personagem" Getúlio nas Revistas da Praça Tiradentes. "OsmarPrado interpreta o Paulo, o Getúlio e o Gegê", explica Britto. Ainda na parte "delirante" da trama, a atriz NediraCampos encarna uma misteriosa namorada de Getúlio. "Ela é amorte", diz Britto. "Getúlio pensou em suicídio em quatromomentos de sua vida: às vésperas da Revolução de 30; narevolução constitucionalista de 1932 e quando os integralistasliderados por Plínio Salgado cercaram o palácio em 1937." Apeça termina com o suicídio de Getúlio, em 1954. "Mas mesmo aíhá uma surpresa, que não pode ser revelada. A gente vai pedir aopúblico que não revele o fim da história." Mas, claro, nem tudo é "delírio" nesse espetáculo deduas horas de duração. Personagens como o ex-governador CarlosLacerda, o policial Felinto Müller, o guarda-costas GregórioFortunado, Alzirinha, a filha de Getúlio, o líder comunista LuísCarlos Prestes e até o escritor Graciliano Ramos estãopresentes. "Claro que para contar a história de Getúlioprecisaríamos de no mínimo cinco horas. Mas os fatos epersonagens mais importantes estarão lá. Além de muitas anedotassobre ele." A peça não dá nenhuma versão definitiva da imagem dessehomem. Proposta que fica clara na projeção que abre oespetáculo. "São imagens de pessoas sendo entrevistadas nasruas de hoje sobre Getúlio. E as opiniões são contraditórias.Pai dos pobres para uns, ditador cruel para outros." Um outro tema também é explorado na peça: a atualsituação do teatro brasileiro. "Há um ator no elenco que sóestá fazendo a peça porque precisa do cachê, mas ele não tem amenor afinidade com a temática", conta Britto. "Uma dasatrizes, vivida pela Dill Costa, uma negra, diz que só está aliporque tem papel para uma negra, coisa sempre difícil.. E até odiretor, vivido por mim, é pressionado pelo patrocinador paraestrear bem antes do que ele gostaria."

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