"No Limite" volta em versão light

Depois de três reuniões a portas fechadas, com representantes dos departamentos comercial, de jornalismo, produção, direção e com outros profissionais ligados à terceira edição de No Limite - prevista para ir ao ar em setembro deste ano -, a primeira decisão em relação à atração foi tomada: não haverá mais mundo-cão nos oito episódios do programa. Ou seja, nada de participantes famintos, doentes ou incapazes de cumprir as tarefas por inanição ou desidratação.A ordem é manter os 12 concorrentes saudáveis para que possam disputar em pé de igualdade todas as competições, e eles não precisem abandonar a gincana. A Globo não quer que se repita o caso da brasiliense Lhitts Maciel que, no programa passado, além da debilidade física, enfrentou problemas emocionais durante os dias que passou na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso.Ração maior - Segundo um dos profissionais ligados ao No Limite 3, que não quis se identificar, a idéia é aumentar a cota de "ração" (quantidade de alimentos dada periodicamente aos grupos rivais) e "não deixar as pessoas tão expostas à própria sorte". Ele completa: "Se passarem fome, vai ser por não administrarem direito a comida fornecida". A partir do episódio Lhitts e de uma pesquisa de opinião, a Globo verificou que o telespectador brasileiro pode ter estômago para testemunhar os competidores comendo olhos de cabra ou testículos de boi, mas não para vê-los sentindo-se mal ou caindo doentes diante das câmeras. Outra decisão tomada para o próximo No Limite: ficará bem claro qual será o prêmio dado a cada participante.Na festa de encerramento do programa passado, em março, houve reclamações porque os dois finalistas ganharam um Palio Adventure, enquanto os demais tiveram direito a um Palio EX, que custa a metade do preço. Como no contrato com a emissora estava especificado apenas que todos ganhariam um carro zero km, a premiação deu margem à polêmica - que acabou em acerto entre as partes.Enquanto os detalhes do No Limite 3 estão sendo acertados, no Rio, quatro frentes de produção estão em busca do local ideal para a realização do reality show tupiniquim. A escolha deve ser feita em duas semanas. Como as gravações estão previstas para começar em julho, a primeira idéia era utilizar como cenário uma cidade bem fria do Sul do País - geada ou mesmo neve poderiam ser um obstáculo a mais para os concorrentes.Além disso, no Sul haveria facilidade para produção. Um dos principais problemas enfrentados pela equipe do programa, composta por quase 300 pessoas, é a falta de infra-estrutura nos lugares inóspitos. Além do Sul, a aridez de um lugarejo do Nordeste, as belezas naturais - muita vezes hostis - do Centro-Oeste e uma cidadezinha quase desabitada do Norte também estão no páreo. "Não há veto à repetição de uma região que já serviu de locação anteriormente ao programa, contanto que não seja no mesmo lugar", diz o profissional ligado à produção do programa.Carisma é fundamental - Um grupo de produtores já está rodando várias cidades brasileiras, recrutando possíveis participantes para a gincana, que farão uma bateria de exames médicos e psicológicos até o início de julho. Apesar dos mais de 50 mil inscritos no site do No Limite, nas duas edições anteriores, e dos milhares que devem se candidatar agora, a previsão é de que apenas um - como foi o caso do professor Antero Temóteo de Macedo Neto, que integrou a segunda edição do programa, exibido entre fevereiro e março deste ano - seja escolhido via Internet.Perfis, idades e temperamentos diferentes continuam sendo a tônica dos concorrentes. Dessa vez, porém, carisma será quesito importante - já que não houve um Arara Vermelha ou Lobo-Guará, em especial, que seduzisse o telespectador. A idéia é de que o público esqueça Elaine, Andréa Baptista e companhia - integrantes do primeiro programa - e passe a torcer pelos novos candidatos. E a direção não deverá dar mais ênfase a intrigas, romances, brigas e especulações sobre a sexualidade de cada um."Cada pessoa manterá seu jeito de ser. De forma alguma serão levados a ter qualquer tipo de comportamento. É um jogo, uma competição em que usam físico e mente. Terão que disputá-lo e tentar ganhar. Só isso", observa outro integrante ligado à produção do programa. Haverá mais provas em que a percepção e o raciocínio rápido valerão pontos, mas nada de mudanças no formato. Zeca Camargo continuará na apresentação, Fernando Gueiros na direção-geral e Paulo Trevisan na direção-artística. O horário que a atração irá ao ar será mantido: aos domingos, depois do Sai de Baixo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.