"No Limite": mais um eliminado irado

A cena parece fazer parte de um roteiro ensaiado - e deve prosseguir assim até o fim de No Limite 2. Depois de Leon, o primeiro eliminado do programa, soltar a língua afiada sobre seus colegas da gincana global, foi a vez de Roberta Mayanah Tenório de Brito Silva, a eliminada deste domingo, disparar sua metralhadora giratória durante a entrevista coletiva, realizada ontem, no Projac, zona oeste do Rio. A relações-públicas de 25 anos só poupou Rosa, sua companheira da equipe Araras Vermelhas - "pela semelhança dela com sua mãe, dona Lourdes". Chamou Dáda, Leo e Danilo de preguiçosos e fracos, disse que seu conterrâneo, o pernambucano Leon, era um cara-de-pau, que nenhum dos Araras Vermelhas tinha espírito de equipe e que Eliane, dos Lobos-Guarás, finalmente tinha "caído na real" ao se afastar de Sávio, "porque as pessoas estão lá para ganhar um jogo, e não para namorar".Roberta, que agora está ruiva, recusou o rótulo de "Andréa 2", quando comparada à também temperamental Andréa Batista, do primeiro No Limite. "Estou muito acima daquela mulherzinha". E avisou: se alguma revista masculina quiser tê-la nua em suas páginas terá de desembolsar R$ 1 milhão. "Mas acho que não vão se interessar. Não sou popozuda, não tenho peitão de silicone..."Roberta afirmou que brigou com todos os integrantes de sua equipe. "Aquelas briguinhas bobas, que todo mundo tem, mas, no final, acaba se dando bem. Só a Sônia e a Rosa que tiveram um pega pra capar no final da prova em que ganhamos o sorvete. Discutiram feio." Ela reclamou por não ter conseguido dormir nem fazer suas necessidades fisiológicas, durante os sete dias que passou na Chapada dos Ventos. Falta de higiene Mas o pior, segundo Roberta, era a falta de higiene do acampamento, principalmente quando resolveram cozinhar o macarrão integral num balde. "Estava cheio de bichinhos no fundo. Aí, achamos melhor usar a panela do café. Como não estava bem lavada, ficou com um gosto horroso", lembrou a moça, que não toma água (só Coca-Cola), detesta café e chocolate. Embora logo após ser eliminada no domingo ter falado em discriminação dos três homens contra as três mulheres do grupo, Roberta preferiu ontem a versão de que "tiraram alguém que poderia rivalizar com eles, que falava tudo o que pensava". Num mea culpa rápido, comentou que realmente fala demais. "Mas não sou fresquinha como disseram. Sou muito chata e muito mandona. Não tenho jeito para falar as coisas e fui participar do programa para ver se melhorava esse meu lado. Mas acho que vou precisar de, pelo menos, outro No Limite." Durante a entrevista, disse também que gostaria de apresentar na TV um programa sobre esportes radicais. "Mas quero estar lá, no meio dos esportistas, participando". Lembrança do acidente - A vontade de fazer o programa é tanta que ela pretende vender o Palio Adventure que ganhou no programa, pagar sua faculdade de Comunicação e investir na estruturação do projeto, para buscar patrocinadores. A única hora em que a durona Roberta ficou emocionada foi ao falar da mãe. Roberta contou que sofreu um acidente de carro, há dois anos, ficou em coma, teve traumatismo craniano, acidente vascular cerebral, trombose na perna direita e deslocamento da bacia. Passou um mês no hospital e três na cadeira de rodas. Ela credita grande parte de sua recuperação à mãe."Meu ortopedista não queria que eu entrasse no programa, mandou que eu falasse com a minha neurologista. Ela ficou feliz e me deu a maior força." Ela lembra que, durante a prova em que teve que subir um morro, içada por uma corda, caiu e bateu com a cabeça duas vezes. "Fiquei tonta, meio lerda, doeu muito. Fui fazendo a prova nem sei como. Mas a hora em que me deu mais medo foi quando choveu granizo e aquilo queimou as minhas costas. Eu nunca tinha visto granizo. Achei que fosse cair um raio e que todo mundo ia se ferrar", contou Roberta. "No acampamento, eu rezava todas as noites e lia trechos de meu livro de cabeceira, Comece o Dia Feliz."

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