No jornalismo cultural do País, foi herdeiro e fundador

Análise: Silviano Santiago

Silviano Santiago,

08 de janeiro de 2012 | 07h00

Daniel Piza ocupa lugar de destaque na história do jornalismo cultural brasileiro. Ele sucede a uma geração de intelectuais e precede a outra. A geração a que sucede é a dos grandes ensaístas e críticos literários impressionistas que conheceram a glória nas décadas de 1940 e 1950. Piza é legítimo herdeiro de Brito Broca, Sérgio Milliet, Otto Maria Carpeaux e outros mais. A posição consolidada pelos impressionistas foi tomada à força pelo polêmico Afrânio Coutinho, ao regressar de périplo pelas grandes universidades norte-americanas. No jornal Diário de Notícias, Afrânio propôs um direcionamento objetivo e metodológico para a crítica literária. Esta abandonava o impressionismo crítico da geração de Broca e de Milliet e fincava os dois pés nos cursos de pós-graduação em Letras, então em voga.

A geração a que Daniel Piza precede é a dos ensaístas e críticos formados pelas escolas de comunicação, que passam a comandar os cadernos de entretenimento cultural a partir dos anos 1990. São eles, por sua vez, legítimos herdeiros de Piza, todos cientes do papel da imprensa numa sociedade democrática e do seu custo para a empresa. Eles tratam a literatura e as artes com um linguajar menos especializado e certamente menos esotérico. São subjetivos na apreciação. Como Daniel, expressam-se pela opinião e a contundência. São polêmicos por natureza e não por estratégia. Tentam impor como objeto de discussão coletiva o tópico que elegem para os artigos e os livros. Ao contrário dos críticos docentes, o jornalista cultural tem de conquistar a cada semana o leitor improvável, desconhecido e anônimo. Criam o tumulto indisciplinar e por ele caminham. Como Nelson Rodrigues, Daniel tem o sentido da dramaturgia das ideias. Como Paulo Francis, cultiva a discussão intelectual na praça pública do saber. Nelson e Paulo, pares de Daniel Piza.

SILVIANO SANTIAGO É CRÍTICO LITERÁRIO

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