No interior, a bienal dos ingênuos

No Sesc Piracicaba, a décima edição deste evento que reúne a arte naïf

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

O termo arte naïf está relacionado a criações ditas "ingênuas", primitivas, produzidas de forma autodidata, "sem preparação acadêmica", com cenas da vida rural, mas todas essas definições sempre engendram discussões, porque hoje já não há como separar o culto do popular e o popular do culto. Tanto que por mais que já se tenha discutido se a Bienal Naïfs do Brasil, que ocorre desde 1992 na cidade de Piracicaba, no interior do Estado de São Paulo, poderia mudar seu nome, resolveu-se que seu título permaneceria por uma questão de identificação do tradicional projeto - e agora sua 10.ª edição acaba de ser inaugurada no Sesc Piracicaba reunindo 111 obras selecionadas (por júri convidado) entre quase 800 trabalhos de 376 artistas de 22 Estados brasileiros.

A 10.ª Bienal Naïfs do Brasil, que acaba de ser inaugurada e ficará em cartaz até dezembro, consagra, assim, a oportunidade que o evento dá a criadores diversos, fora do chamado sistema artístico (de galerias e museus) e pertencentes a estratos sociais distintos, de exibirem as obras que criam de forma espontânea.

A bienal é também uma maneira de premiar essas criações, como, nesta edição, de obras do capixaba Neves Torres e do paulistano João Generoso (receberam o Prêmio Destaque-Aquisição); de um grupo de trabalhos de Carmézia Emiliano, Eliana Silveira de Andrade, Euclides de Almeida Coimbra, Marconi Parreiras e Milton Cardoso da Costa (contemplados com Prêmio Incentivo); e as menções especiais para Alencar Claret Duarte da Silva, Antonio Fernando Vieira da Silva, Antonio Francisco da Costa, David Augusto Sobral e Nilson Pimenta da Costa.

Sem fronteiras. Além de exibir as obras selecionadas desta edição, a 10.ª Bienal Naïfs abriga a sala especial Arte Sem Fronteiras, com curadoria de Maria Alice Milliet. Sua ideia foi colocar lado a lado artistas que ela conheceu em outras edições da Bienal Naïfs - como o bombeiro Dalton Oliveira, pintor que remete à linguagem da mexicana Frida Kahlo, e o garçom Alex dos Santos, criador de obras que misturam grafite e objetos -, com trabalhos de criadores consagrados no meio artístico como Antonio Henrique Amaral, Vania Mignone e Alex Ceverny. "A divisão entre popular e erudito é um tanto artificial", diz a curadora.

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