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No começo de tudo

Encontros com especialistas ressaltam a importância da pré-produção

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2013 | 02h12

Além da programação com o melhor da recente safra da animação mundial, o Anima Mundi sempre primou por trazer ao Brasil profissionais internacionais, sempre dispostos a falar de seu trabalho e dar dicas preciosas para público e profissionais. Neste sentido, as sessões do Papo Animado trazem para a cidade três grandes nomes da animação mundial.

Amanhã, às 20 horas, no Espaço Itaú de Cinema, a portuguesa Regina Pessoa fala de seu trabalho artesanal e sempre delicado. Uma das mais prestigiadas animadores da Europa, ela combina traço único com história que trazem mistérios e pequenos grandes dramas do dia a dia de personagens comuns.

Na quinta, também às 20 h, no Espaço Itaú, será a vez do irlandês David O'Reilly trazer seus desenhos quase 'do avesso'. Na contramão do usual, ele faz questão de deixar à mostra os processos de confecção de seus filmes, como os grids e timecodes. "Em linhas gerais, tiro todo o lixo que impregna as produções em 3D, e revelo isso ao espectador", diz o irlandês, que já foi premiado nos festivais de Berlim e Ottawa.

No encerramento da programação do Papo Animado, fala o brasileiro Ennio Torresan. Mestre do storyboard (a técnica de desenhar sequencialmente, em quadrinhos, um filme), o animador é uma das maiores autoridades de sua área e cuida dos processos de pré-produção da DreamWorks, onde cuidou de longas como Kung Fu Panda e Turbo. Torresan apresenta ao público paulista cenas inéditas, e raras, dos storyboards destes filmes, em que não só define movimentos de câmera e posicionamento dos personagens como diálogos e até mesmo rumos da história. Ele também assina a direção de Até Que a Sbórnia nos Separe, com Otto Guerra. Sobre as experiências de trabalhar em um projeto brasileiro e nos de Hollywood, ele disse ao Estado: "A única semelhança seria pelo tamanho do filme. Pelo trabalho desgraçado que dá para fazer um longa em animação. O resto é totalmente diferente. Os universos, o contexto, a narrativa, a cinematografia, o tema, a técnica e o estilo de humor, seja em questão de linguagem, seja na temática".

Ainda que estes três profissionais tenham carreiras distintas, há um ponto comum que é crucial quando se fala de sua importância para a edição do Anima Mundi 2013. "Todos trabalham essencialmente na área que o Brasil precisa avançar e investir mais: a pré-produção", comenta Cesar Coelho, um dos diretores do Anima Mundi. "Enquanto no exterior essa fase já integra a cadeia produtiva de um filme, aqui roteiro, storyboard e até o início da produção são feitos por paixão. É preciso que haja mecanismos de financiamento para que um longa, ou uma série, tenha recursos desde seu início. Só assim vamos formar mais profissionais e chegar de fato à maturidade", afirma Coelho. "Investir nas parcerias e coproduções internacionais também é importante. Estamos avançando."

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