No cinema e na TV, o talento de Carla Camurati

Carla Camurati é linda, delicada. Mas aquela figura mignon esconde uma tenacidade de ferro. Foi assim que Carla virou a mãe do novíssimo cinema brasileiro, assinando o primeiro grande sucesso da retomada da produção, após a era Collor, no começo dos anos 90. Carla conseguiu isso fazendo um lançamento de formiguinha para Carlota Joaquina, Princesa do Brasil. O filme passa hoje às 21 horas no Canal Brasil, da Net/Sky. Ela fez o filme, com apoio da BR Distribuidora, e depois saiu pelo Brasil com a cópia debaixo do braço. Conseguiu colocar Carlota Joaquina no mapa. Arranjou salas, acompanhou o lançamento em cada capital. Fez com que as pessoas tomassem conhecimento do filme, que o vissem. Ocorreu também de o público gostar.Pode-se discutir esse enfoque meio de chanchada que Carla dá à história do Brasil no seu filme sobre a mulher de d. João VI e a vinda da família real portuguesa para o Brasil, no começo do século 19. Mas as atuações são ótimas (Marieta Severo e Marco Nanini) e um sucesso como o de Carlota Joaquina impõe respeito, senão admiração.E hoje, além de poder (re)ver o filme na TV, o espectador dispõe de outro trabalho de Carla nos cinemas. Copacabana traz de novo Marco Nanini à frente de um elenco em estado de graça, em que até o menor figurante é ótimo. É um belo filme, o melhor de Carla. Melhor que Carlota Joaquina, que La Serva Padrona, sua ópera-bufa adaptada de Pergolesi.A história dos velhinhos de Copacabana tem momentos de um brilho visual que evoca Fellini. É um filme sobre a terceira idade? Não, é sobre a vida. E a ponte que Carla faz entre Copacabana e a Bolívia, entre o país do carnaval e a latinidade não é só comovente. É lúcida. Seu filme confirma um verdadeiro temperamento de cineasta.

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